PLANTAS
TRANSGÊNICAS I - Macro Enfoque
Estupefação e medo atávico gerando discussões
infindáveis. O homem reanalisa sua natureza e seu caminho de
vida, aproveitando o mote da moderna biotecnologia. Pontos anotados
aqui e ali que achamos interessante reproduzir:
FILOSÓFICOS: Se o homem é parte integrante
da natureza, suas criações são consideradas naturais
? Vulcões e terremotos redesenham continuamente o meio ambiente;
edificações de cidades, cultivos e pastagens também.
A ciência nuclear pode pender para o bem ou para o mal, que aliás,
o são assim dependendo do observador. Transgênicos idem.
CIENTÍFICOS: Dominamos mesmo a nova tecnologia
? Quando surgiu o insetticida DDT, a humanidade ficou maravilhada com
os benefícios. Anos depois, foram apresentadas ou descobertas
as facetas negativas do herói. Criou-se então, um protocolo
científico para filtrar rigorosamente as novas substâncias
candidatas a pesticida. São testes e testes toxicológicos
e ambientais que de certa forma nos tranquilizam. Com as transgênicas
ainda não foi elaborado um protocolo que nos diga com certo grau
de segurança, o que o futuro nos revelará sobre efeitos
indesejáveis à saúde e meio ambiente. O desafio
é grande, pois a dimensão do problema é outra,
não é química e estática, é biológica
e evolutiva. Na atualidade o desconhecimento do genoma é maior
que o conhecimento. E os efeitos sociais ? Teremos um protocolo sobre
isso ? Afinal, tudo que inventamos e emprestamos garantias no direito
patentário,pressupostamente, é em benefício do
ser humano,... ou será das empresas ?
INVESTIMENTOS: Os bilhões de dólares
investidos sinalizam para o inevitável. Os gerenciadores de empresas
têm satisfações a dar aos capitalistas cotistas.
A pressão é insuportável, arrasta até os
cientistas. A regra capitalista não perdoa gastos sem retornos.
MERCADO: A biotecnologia afetará significativamente
áreas importantes, como agroquímicos - mais de 30 bilhões
de dólares, e, fertilizantes - cerca de 50 bilhões de
dólares, só para ficarmos nos "inputs". Isso
gera uma brutal força emocional movimentando a roda dos negócios.
Estratégias para tirar proveito são elaboradas, rasgadas,
reelaboradas. Alianças e fusões se multiplicam. O desespero
dos "sem saída" se soma aos sinalizadores de maus preságios.
É uma delirante tragicomédia.
ALIMENTAÇÃO: A nova biotecnologia promete
alimentar os 9 bilhões de habitantes que teremos na primeira
metade do próximo século. E hoje ? Temos produção
e estoque para alimentar todas as pessoas e não o fazemos. Por
quê ? E amanhã, estaremos fazendo a mesma pergunta ?
PLANTAS TRANGÊNICAS II - Enfoques Pontuais
SOJA TOLERANTE A GLIFOSATO: O glifosato no Brasil
é produzido e ofertado por diversas companhias. Todos funcionam
igualmente contra as mesmas ervas daninhas. Mas nem todos poderão
ser comercializados para a soja transgênica. Só o da
MONSANTO, marca ROUNDUP. A razão não é, como
se poderia imaginar, uma reserva de mercado planejada pela multinacional
para as lavouras plantadas com a, também sua, semente tolerante
ao glifosato. Não, a razão reside lá em Brasília,
é o muro de determinadas burocracias incompreensíveis
emperrando a livre concorrência e abrindo clareira para venda
casada de semente + herbicida e para a prática de "dumping"
na cadeia distributiva. A permissão para se acrescentar em
cada rótulo o controle das mesmas ervas que infestam a agora
nova soja - "variedade transgênica" -, é um
processo que exige testes em campo de eficácia (repetição
descabida, pois o alvo continua sendo as mesmas ervas, cujo controle
já foi comprovado) e teste de fitotoxicidade (um verdadeiro
absurdo, pois seria como acreditar que a molécula glifosato
se transmudasse ao ser usada na composição de outra
marca comercial). O interessante é que para as diversas variedades
de soja existentes, que expressam características genéticas
diferenciadas, como resistência a essa ou àquela doença,
não são exigidos estas repetições de testes
(ou será que passarão a exigir também, após
essa "deixa" ?) . Mesmo assim, as empresas dos glifosatos
genéricos se prontificam a fazer os testes, mas como, se as
sementes transgênicas não estão disponíveis
e são propriedade da MONSANTO? O governo não pode
ficar impassível, tem de dar uma saída urgente !
A EMBRAPA, cuja estrutura é financiada com dinheiro de todos
nós, faz as pesquisas sob contrato para a MONSANTO. Não
advogamos impedir essa via de angariar recursos, certamente deve haver
um regime jurídico, onde as pesquisas da EMBRAPA possam ser
repassadas com exclusividade a uma única empresa e , simplesmente,
nós desconheçamos. Mas, que tal incluir os outros glifosatos
em algumas dessas pesquisas, só para ter certeza que as funções
dos glifosatos genéricos são iguais ao ROUNDUP na soja
transgênica ? Aliás, caso as funções sejam
diferentes, por exemplo, se um glifosato genérico "queimar"
a soja, tem algo a ser reexplicado na tecnologia, ou o glifosato não
é mais glifosato. A EMBRAPA deve vir a público explicar
isso. Nos Estados Unidos e Argentina, todas as marcas de glifosato
são comercializadas livremente e usadas na soja transgênica,
sem necessidade desses testes e sem nenhuma celeuma. No Brasil, a
soja transgênica pode ser considerada similar à soja
natural, por quê os glifosatos de fabricantes diferentes não
podem ser similares? Onde está a lógica ? E, o incrível
é que o glifosato é uma substância química,
com similaridade muito mais fácil de comprovar que uma complexa
semente.
ROTULAGEM: A rotulagem salvará a humanidade
dos inimagináveis, ocultos malefícios dos transgênicos.
É o que se deduz da defesa estóica deste procedimento.
Em verdade, o que se está querendo dizer é: temos medo
dos transgênicos, mas não podemos impedi-los, mercê
do altíssimo investimento realizado e da sede de retorno lucrativo,
porém nos resta um último freio: a rotulagem. Do outro
lado, bradam que não é necessário rotular, a
soja transgênica é similar à soja natural, tudo
continua "commodity". Brigas à parte, - com uma breve
mirada no mercado alimentício de hoje e uma leitura nas promessas
transgênicas de um próximo amanhã, é possível
concluir que a identificação precisa nas colheitas e
a rotulagem dos produtos acabados é e será uma condição
natural de comercialização. Hoje, separamos hidropônicos,
alimentos orgânicos, livres de agroquímicos, etc., para
obtenção de um prêmio, de um ganho extra; existem
pessoas dispostas a pagar por isso, é fato. Os transgênicos
rapidamente nos trarão infinitas variantes de oferta: milho
com alto teor de óleo ou com mais teor de lisina-metionina
ou com fósforo disponível aos animais; soja com menor
teor de gordura saturada, etc.. Os agricultores identificarão
obrigatoriamente suas colheitas e os rótulos expressarão
a composição dos alimentos diferenciados. Rotulagem
não é filtro preventivo contra efeitos indesejáveis
e imperceptíveis, mas nesse momento pode ser uma arma econômica,
caso o Brasil consiga gerenciar, por exemplo, acordos comerciais com
a Europa de sua soja diferenciada, - a natural. Rótulo é
propaganda do produto, antes de tudo.
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