Nº 012

Maio/1999
ENTREVISTA NO CANAL RURAL

Apresentador Humberto Ascêncio: O IDEC protocolou novo pedido na Justiça para impedir que a soja geneticamente modificada seja semeada em território brasileiro sem a realização de estudo prévio de impacto ambiental. O Ministério Público endossou o pedido do IDEC, uma vez que o estudo não foi exigido pela CTNBio e é um direito presente na Constituição. Estão em vigor duas liminares: uma, obriga a rotulagem dos produtos alimentícios com soja transgênica; outra, determina a segregação do plantio.
Outro impacto que se observa é com relação ao mercado de defensivos agrícolas. O Brasil é um dos mais importantes mercados do mundo, tendo faturado ano passado mais de US$ 2 bilhões. Na conta final, os produtos importados e os fabricados aqui dividiram esse bolo. Para falar sobre esse mercado e sobre a vinda dos transgênicos, estamos recebendo no estúdio o Sr. Tulio de Oliveira, Diretor Executivo da AENDA.
C. RURAL: Existe mesmo este risco da Indústria Nacional diminuir a fatia que detem no mercado?
AENDA: Na verdade, o impacto que os defensivos têm com a chegada dos produtos transgênicos, será um impacto de substituição de alguns herbicidas por outros herbicidas com sementes tolerantes. Não haverá diminuição de mercado de agrotóxico e sim uma substituição de produtos.
C. RURAL: No caso da soja tolerante... ela está atrelada ao Roundup Ready, da MONSANTO...e os glifosatos nacionais, poderão ser usados nessa soja?
AENDA: Temos a considerar em 1º lugar que não há uma substituição total de área, por diversos motivos: o lavrador continuará usando uma variedade resistente a alguma doença ou mais rentável do que aquela tolerante ao glifosato, ou poderá plantar com uma demanda cativa para um comerciante que quer uma determinada característica ou uma soja natural; a velocidade de adoção da tecnologia é importante e depende das pressões da sociedade; e, algumas ervas realmente são tolerantes ao glifosato. Então, a substituição nunca será total. Com relação especificamente à sua pergunta...eu estava lendo o jornal de ontem, quando pude deparar com afirmação do chefe do Serviço Nacional de Proteção aos Cultivares, Dr. Manoel Olímpio Vasconcelos, "O glifosato que é o princípio ativo do herbicida Roundup é produzido por cerca de 5 empresas no Brasil". Então, ele está sinalizando que os outros herbicidas à base de glifosato, poderão ser também usados na soja.
C. RURAL: Quer dizer...tecnicamente não é inviável você plantar a soja da MONSANTO e usar um glifosato produzido no Brasil?
AENDA: Ah! Ao contrário, tecnicamente é totalmente possível e é usado nos Estados Unidos e Argentina. Aqui no Brasil é que temos um pequeno nó no processual de registro para uso nas culturas. É preciso que o Ministério da Agricultura desate esse nó e permita que os outros glifosatos também sejam usados. Porque, senão, seria uma exclusividade indesejada para um único produto, quando na verdade existem muitas empresas no Brasil, multinacionais e nacionais, que também fabricam esse princípio ativo.
C. RURAL: Dá para fazer um exercício numérico? Quanto a indústria nacional perderia nesse mercado se esse nó não for desatado?
AENDA: O mercado de glifosato hoje, no Brasil, é cerca de 80 milhões de litros. A indústria nacional participa com 15 milhões, mais ou menos. Não vai perder, o que vai acontecer é um mercado adicional e que, acredito, se não houver a abertura para os outros glifosatos, a indústria nacional não acompanhará essa maior expansão do mercado de glifosato.

AENDA - Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos