Apresentador Humberto Ascêncio:
O IDEC protocolou novo pedido na Justiça para impedir que a
soja geneticamente modificada seja semeada em território brasileiro
sem a realização de estudo prévio de impacto
ambiental. O Ministério Público endossou o pedido do
IDEC, uma vez que o estudo não foi exigido pela CTNBio e é
um direito presente na Constituição. Estão em
vigor duas liminares: uma, obriga a rotulagem dos produtos alimentícios
com soja transgênica; outra, determina a segregação
do plantio.
Outro impacto que se observa é com relação ao
mercado de defensivos agrícolas. O Brasil é um dos mais
importantes mercados do mundo, tendo faturado ano passado mais de
US$ 2 bilhões. Na conta final, os produtos importados e os
fabricados aqui dividiram esse bolo. Para falar sobre esse mercado
e sobre a vinda dos transgênicos, estamos recebendo no estúdio
o Sr. Tulio de Oliveira, Diretor Executivo da AENDA.
C. RURAL: Existe mesmo este risco da Indústria
Nacional diminuir a fatia que detem no mercado?
AENDA: Na verdade, o impacto que os defensivos têm
com a chegada dos produtos transgênicos, será um impacto
de substituição de alguns herbicidas por outros herbicidas
com sementes tolerantes. Não haverá diminuição
de mercado de agrotóxico e sim uma substituição
de produtos.
C. RURAL: No caso da soja tolerante... ela está
atrelada ao Roundup Ready, da MONSANTO...e os glifosatos nacionais,
poderão ser usados nessa soja?
AENDA: Temos a considerar em 1º lugar que não
há uma substituição total de área, por
diversos motivos: o lavrador continuará usando uma variedade
resistente a alguma doença ou mais rentável do que aquela
tolerante ao glifosato, ou poderá plantar com uma demanda cativa
para um comerciante que quer uma determinada característica
ou uma soja natural; a velocidade de adoção da tecnologia
é importante e depende das pressões da sociedade; e,
algumas ervas realmente são tolerantes ao glifosato. Então,
a substituição nunca será total. Com relação
especificamente à sua pergunta...eu estava lendo o jornal de
ontem, quando pude deparar com afirmação do chefe do
Serviço Nacional de Proteção aos Cultivares,
Dr. Manoel Olímpio Vasconcelos, "O glifosato que é
o princípio ativo do herbicida Roundup é produzido por
cerca de 5 empresas no Brasil". Então, ele está
sinalizando que os outros herbicidas à base de glifosato, poderão
ser também usados na soja.
C. RURAL: Quer dizer...tecnicamente não é
inviável você plantar a soja da MONSANTO e usar um glifosato
produzido no Brasil?
AENDA: Ah! Ao contrário, tecnicamente é
totalmente possível e é usado nos Estados Unidos e Argentina.
Aqui no Brasil é que temos um pequeno nó no processual
de registro para uso nas culturas. É preciso que o Ministério
da Agricultura desate esse nó e permita que os outros glifosatos
também sejam usados. Porque, senão, seria uma exclusividade
indesejada para um único produto, quando na verdade existem
muitas empresas no Brasil, multinacionais e nacionais, que também
fabricam esse princípio ativo.
C. RURAL: Dá para fazer um exercício
numérico? Quanto a indústria nacional perderia nesse
mercado se esse nó não for desatado?
AENDA: O mercado de glifosato hoje, no Brasil, é
cerca de 80 milhões de litros. A indústria nacional
participa com 15 milhões, mais ou menos. Não vai perder,
o que vai acontecer é um mercado adicional e que, acredito,
se não houver a abertura para os outros glifosatos, a indústria
nacional não acompanhará essa maior expansão
do mercado de glifosato.