Nº 015

Setembro/1999
DEFENSIVOS GENÉRICOS O QUE SÃO? PARA QUE SERVEM?

O mercado de defensivos agrícolas, visto em perspectiva comercial, é disputado por dois grupos de produtos: aqueles sob patente e os produtos em domínio público. Os produtos sob patente, são protegidos por períodos de exclusividade. No Brasil esse período, que era de 15 anos, passou recentemente a 20 anos, ou seja, durante duas décadas nenhum agricultor pode adquirir esse produto de um segundo ou terceiro ofertante, salvo se houver uma concessão, por parte do inventor, com pagamentos de compensação financeira. O consumidor fica sujeito a esse instrumento monopolista, aliás, o que leva certas correntes a advogar uma modificação para sistema de patente não monopolista, onde a concessão de fabricação para terceiros seria compulsória e a compensação financeira arbitrada pelo governo.
Expirado o prazo de exclusividade, o produto pode ser fabricado por qualquer empresa que tenha desenvolvido ou adquirido sua tecnologia e tenha acesso às matérias primas e intermediários. É nesta fase que o produto passa a ser denominado de genérico, pois é ofertado por mais de um fabricante. É interessante observar que existe uma categoria de produto que, apesar de estar em domínio público, não é ofertado por outros fabricantes. Este grupo, controlado por um único fabricante, é conhecido por produto exclusivo ou especialidade.
Os defensivos agrícolas genéricos representam mais de 70% em volume negociado no mundo, impulsionados pela concorrência em acirramento crescente com a agregação de novos fabricantes de uma mesma substância, mas também lastreados em um conhecimento pleno da eficácia, limitações e efeitos de ordem toxicológica e ambiental, acumulado por todos os interessados durante o uso no período de exclusividade. É claro que grande parte desses produtos continua sendo vendida pelo fabricante original. Estima-se que os fabricantes independentes detenham 15 a 20% do mercado global.
Essa formidável força concorrencial pressiona para baixo os preços dos produtos. Arrasta, não só o preço dos próprios produtos genéricos, mas também obriga o reposicionamento de preço dos produtos inovadores, em razão da relatividade de ganhos que o consumidor passa constantemente a comparar.
O gráfico abaixo mostra com clareza a tremenda pressão exercida sobre o preço de uma substância muito usada em nossa agricultura, ao longo dos anos: o herbicida Glifosato.

Preços em valores reais de dezembro de 1998, corrigidos pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas. Preços por litro do produto comercial. Fonte: Gráfico elaborado a partir de estudo do IEA - Instituto de Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura de São Paulo, tendo por base levantamento sistemático do DERAL - Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Paraná, da marca comercial Roundup (Monsanto).

Essa curva decrescente nitidamente foi acelerada pela presença de concorrentes genéricos. Podem ser citadas as marcas: Glifosato 480 Agripec (Agripec), Glifosato Nortox (Nortox), Gliz 480 SAqC (Noragro / Sanachem), Glion (Defensa / Milênia), Glifosato Fersol (Fersol), Trop, tropazin e tropuron (Herbitécnica / Milênia), Agrisato (Agritec / Alkagro), Glifosato Alkagro (Alkagro), Ryvolt (Agritec) e Glifos (Cheminova).
Ao agricultor interessa uma presença significativa de empresas dedicadas a produtos genéricos, para que possa maximizar sua produtividade, incorporando na plenitude esse insumo a preços que reduzam os seus custos operacionais.
O governo precisa entender que este é um mercado de forte oligopolização e com tendência cada vez mais concentradora, bastando observar o movimento das grandes corporações químicas em processo de fusões e adquirindo vorazmente as companhias de sementes, na disputa por espaço do mercado de defesa vegetal, via biotecnologia. Aqui no Brasil, nesta década, a indústria independente de genéricos diminuiu sua participação mercadológica de 30% para cerca de 10%.
Com esse cenário, faz-se necessária uma política industrial que tenha como um dos objetivos prioritários o incentivo à concorrência e como estratégia, o estímulo à fabricação local e a preservação das empresas de genéricos
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AENDA - Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos