Nº 022

Abril/2000
O GOVERNO CONTRA A CONCORRÊNCIA

A carta abaixo é emblemática. Mostra a situação vexatória a que a indústria genuinamente nacional foi levada, por conta de portarias injustas e exigências abusivas sem paralelo no mundo para os produtos genéricos.



GERÊNCIA DE ANÁLISE TOXICOLÓGICA
MINISTÉRIO DA SAÚDE


Ref.:EXIGÊNCIAS DOS PRODUTOS: MAYRAN TÉC., MAYRAN 500 SC, MAYRAN, E VETRAN


Prezado senhor,
Nossa empresa é de origem brasileira e uma das poucas que fabrica seu próprio princípio ativo para atender o ramo agrícola. Trata-se do THIRAN, um fungicida, que fornecemos para tratadores de sementes sob as marcas MAYRAN e VETRAN.
Estamos há muito tempo tentando registrar o produto MAYRAN SC (mais moderno porque é isento de pó) para tratamento de sementes e também adequar o mesmo produto pó molhável na nova legislação (o existente atualmente no mercado é importado em grau técnico e formulado).
Ao longo dos anos estamos fazendo e pagando testes de custo muito elevado para o tamanho do nosso faturamento, isso tudo, no intuito de atender às exigências do IBAMA. Finalmente, terminamos agora em fins de 1999.
Sofremos vários revezes pelo caminho pois a legislação ambiental mudou várias vezes, mas sempre se preservou a data de entrada do produto e seu protocolo, para que não tivessemos mudanças nas regras o que prejudicaria e muito a empresa.
Após termos recebido vosso ofício no qual constam as últimas exigências, ficamos estarrecidos pois não foram estas as regras impostas pelo Ministério da Saúde quando demos entrada nos nossos processos de renovação e de registro.
Ao consultarmos os laboratórios a respeito das exigências não encontramos respostas condizentes com diversas análises exigidas; encontramos sim, orçamentos fora de nossa lógica de custos, custos estes que transcendem em muito o valor de nosso faturamento anual com estes defensivos; transformando o cumprimento das exigências em suicídio empresarial.
Embora tenhamos alguns testes efetuados para o IBAMA, de mesma natureza que testes da SAÚDE, percebemos ser impossível cumprir a maioria das exigências solicitadas pela SAÚDE principalmente as do MAYRAN TÉCNICO (THYRAM).
Tratando-se de um produto muito antigo, no mercado mundial desde 1941, já estudado por muitas entidades internacionais e com farta bibliografia, entendemos que esta avaliação toxicológica poderá ser simplificada, com vossa anuência. Este pedido de simplificação prende-se ao fato de não termos condições financeiras de arcar com análises assim caras; uma vez que o produto em si não comporta tais despesas pois as mesmas estão acima do faturamento de muitos anos. Mesmo porque trata-se de um produto com ação de contato e de baixa toxicidade, e pelo seu uso (tratamento de sementes), não tem causado mal aos produtores e ao meio ambiente.
Solicitamos a vossa reconsideração a respeito destas exigências, bem como necessitamos de uma audiência no sentido de apresentar o que já existe de testes efetuados e literatura, a fim de encontrarmos uma saída que possa atender a legislação.
Reiteramos também o convite para que venham conhecer nossa empresa que está situada em Itaquaquecetuba-SP, para que possam tirar conclusões que é preferível um produto nacional do que produtos que às vezes até desconhecemos suas origens.

Certos de vossa reconsideração e estudo.

Atenciosamente

Pela ENRO INDUSTRIAL LTDA"


Nota da redação: Os testes solicitados, ensaios toxicológicos de curto, médio e longo prazo, já foram realizados pela comunidade científica internacional e os resultados estão chancelados por renomadas instituições (FAO, EPA, etc). As repetições destes ensaios nada de novo acrescentam ao conhecimento do ingrediente ativo, mas os custos, que se aproximam dos dois (2) milhões de reais, se configuram na atual tragédia da indústria nacional, um prejuízo sentido fortemente no final da cadeia, pelo agricultor, com a diminuição da concorrência.

AENDA - Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos