Inicialmente
é necessário salientar que a indústria de defensivos
agrícolas é, do ponto de vista técnico, um segmento
da indústria química, particularmente incluída
no subconjunto de produtos denominados da química fina.
Dessa forma, na
realidade a evolução da indústria de defensivos
é uma parte efetiva da evolução da indústria
química em geral e de suas principais empresas, tanto isso
é verdade que as principais empresas desta última também
o são da primeira. Existem alguns casos de especialização
notória em defensivos, mas são exceções.
O desenvolvimento
desse setor industrial encontra-se intimamente relacionado à
importância crescente da produção agrícola
brasileira, pois os principais elementos técnicos na determinação
da demanda desses insumos são a definição do
produto, a área plantada, as características bioclimáticas
e os terrenos. Já a escolha do produto é influenciada
pela especificidade de uso, os coeficientes técnicos básicos,
o grau de eficácia esperado e o preço relativo ( o qual
associado ao coeficiente de uso, determina o custo por hectare, Ipea,
Estudo para Discussões nº 422).
A análise
do crescimento setorial pode indicar uma forte correlação
entre a evolução da produtividade obtida em todas as
lavouras e o aumento do faturamento do setor. No decorrer da década
dos anos 90, o setor apresentou o seguinte faturamento, em bilhões
de dólares:
| Faturamentos |
1990 |
1991 |
1992 |
1993 |
1994 |
1995 |
1996 |
1997 |
1998 |
1999 |
Valor
corrente
Fonte: Sindag |
1,08 |
0,98 |
0,94 |
1,04 |
1,40 |
1,53 |
1,79 |
2,18 |
2,53 |
2,32 |
Valores
corrigidos para 1999 pela Inflação Americana.
Fonte: IEA
|
1,30 |
1,13 |
1,05 |
1,13 |
1,48 |
1,58 |
1,90 |
2,25 |
2,61 |
2,32 |
Como se vê,
a evolução do setor nesses dez anos foi da ordem de
109% em valor corrente ou 78% em valores de 1999. Coincidentemente
dá-se numa fase da economia agrícola em que o governo
produz uma forte retração de crédito oficial
para custeio, determinando que os produtores recorressem a fontes
privadas de financiamento, particularmente das próprias indústrias
que tiveram que assumir essa nova atribuição.
Tais características
de mercado apoiam os elementos caracterizados da estrutura dessa indústria.
Quanto à concentração, o setor de defensivos
agrícolas poderia ser caracterizado como um oligopólio
diferenciado por apresentar um número de empresas, em termos
absolutos significativo, mas, no entanto, um pequeno número
destas detém uma parcela relativamente grande da produção/vendas
da indústria . Dentro as vinte e seis empresas com participação
de pelo menos 1% no mercado, verifica-se que as cinco maiores detém
43,8%; as oito maiores participam com 64,5% e as dez, com 76,8% .
As fusões que estão ocorrendo entre as empresas do setor
deverão provocar significativas alterações desse
quadro, indicando que as três maiores deterão um mercado
de 46,1%, com base nos dados de faturamento do ano de 1999.
Outra importante
característica desse segmento está relacionada aos produtos
por ele produzidos e comercializados. A oferta de defensivos agrícolas
apresenta a seguinte divisão mercadológica:
EMPRESAS
DE PRODUTOS EXCLUSIVOS + GENÉRICOS
US$ 2,0 bilhões
---------------------------------------------------------------------------------
EMPRESAS DE PRODUTOS GENÉRICOS
US$ 0,3 bilhões
As primeiras,
são aquelas que competem no mercado com um "mix"
de produtos composto por dois conjuntos: um primeiro composto de produtos
suficientemente diferenciados quimicamente de forma a serem patenteáveis,
oriundos de suas próprias atividades de P&D, e um segundo
composto de produtos tradicionais, não necessariamente originais
da empresa, denominados genéricos.
O segundo grupo
produz genéricos representados por produtos com patente vencida,
com vários produtores e disponibilidade internacional, com
competição de preços e, consequentemente, com
preços bem inferiores aqueles existentes quando havia apenas
a relação exclusiva matriz-filial.
Para uma melhor
avaliação do componente mercadológico, especialmente
no aspecto relacionado a oferta, é necessário avaliar
que dos 1505 registros de produtos técnicos e formulados gerados
pelo Ministério da Agricultura até o ano de 1999, 742,
ou 49,3%, foram obtidos por seis empresas do primeiro grupo. Por sua
vez, as cinco maiores empresas do segundo grupo detém 248 registros,
ou seja, 16,45 do total.
Essa forma de
organização desempenha fundamental papel na competitividade
do setor agrícola, pois indiscutivelmente os efeitos sobre
a renda do produtor dependem da participação do insumo
nos custos e das consequências sobre a produtividade.
Os novos produtos
apresentam altos preços e margens devido ao caráter
diferencial dos seus coeficientes de uso. Os produtos tradicionais,
por sua vez, permitem a entrada de empresas menores que importam os
produtos técnicos, ou têm acesso à tecnologia
e passam a produzí-los e vendê-los a terceiros, contribuindo
mais para a difusão da oferta. Para estes produtos, os preços
tendem a cair, transformando o produto em uma "commodity",
para benefício do agricultor e do consumidor final.
Todo esse quadro
de oferta, atualmente, vem sendo fortemente afetado por severas, restritivas
e excessivas exigências provenientes dos órgãos
federais participantes no processo de registro sanitário. Tal
fato, tem implicado em verdadeira barreira à entrada de novos
registros no mercado, restringindo a concorrência e colocando
o produtor frente a impossibilidade de ter seu custo de produção
reduzido. Essa situação, além de sua consequência
direta sobre o produtor, deverá afetar as perspectivas de investimentos
da ordem de US$ 640 milhões, previstas para até 2003.
Luiz
César Auvray Guedes – Presidente da ABIFINA e Vice-Presidente
da AENDA