No ano de 1999, os defensivos agrícolas
foram acondicionados e comercializados em 107 milhões de embalagens,
que, vazias, pesariam cerca de 24 milhões de quilos, segundo
levantamento do setor industrial.
Retirar todo esse contingente de vasilhames do campo,
a cada ano, é uma tarefa colossal, considerando (a) a grande
extensão do território brasileiro, (b) a discussão
do projeto e organização em cada comunidade, (c) o levantamento
dos recursos, (d) a obtenção de licenças e alvarás
para construção dos projetos (unidades de recebimento),
(e) o treinamento de técnicos e operadores e, (f) a educação
de massa para motivar o usuário a devolver.
Contudo, o sistema de recebimento dessas embalagens
vazias toma corpo em todo o País, visando facilitar a devolução
pelo usuário e a logística de encaminhamento ao destino
final. Construídas e operando, já se pode contar 50
unidades; em construção ou em planejamento para este
ano, outras 50 unidades. Considere-se, ainda, que esse número
de unidades foi em maioria de iniciativa da Indústria, que
estimulou técnica e financeiramente as comunidades locais a
realizarem os projetos (uma exceção a destacar é
o Programa do Paraná, cujas unidades foram construídas
pelo Governo Estadual).
Agora, está em curso uma grande movimentação
das Cooperativas e Revendedores, agregando força e dinamismo
ao sistema. Portanto, é impossível estimar qual será
o mapa dessas unidades, conhecidas por postos e por centrais (essas
últimas, processam as embalagens, reduzindo o volume para o
transporte ao destino final), nos próximos 12 meses. Na prática,
pode ser um caminhão gôndola ou mesmo de caçamba
removível, fazendo um roteiro pré-estabelecido e com
datas pré-agendadas, tudo bem divulgado na comunidade rural.
Também, podem ser, pontos fixos de recepção,
onde o material é recolhido e, ao final do dia, é levado
para armazenamento em uma unidade. Dispõem de pessoas treinadas
para fazer uma primeira triagem e separação do material
coletado, bem como instruir corretamente os agricultores ainda carentes
de informação.
Paralelamente, um outro subsistema de
recebimento das embalagens se estabelece, como um poderoso aliado
das unidades. Trata-se da coleta programada, um verdadeiro multirão
de limpeza que, de forma organizada, recebe diretamente do usuário
e entrega em uma unidade.
Essas formas, inventivas e práticas, devem
adaptar-se, é claro, aos novos ditames de legislação
específica, em especial, mantendo controles de identificação
dos usuários e suas respectivas embalagens devolvidas. Etiquetas
podem ser coladas em cada embalagem ou em cada agrupamento de embalagens
(em caixas, sacos, etc.). Separar as embalagens contaminadas das não-contaminadas
é outro cuidado necessário, bastando agrupá-las
e isolá-las no transporte. O usuário, por seu turno,
deve receber algum comprovante da entrega.
É um sistema interessante para ser aplicado,
principalmente em regiões com concentração de
minifúndios ou por cooperativas com entrepostos. A época
escolhida, deve ser aquela em que a demanda por serviços de
transporte em outros setores seja mais baixa e, as datas pré-fixadas
devem ser sincronizadas com o gestor da unidade de recebimento que
acolherá o material. É, também, importante aproveitar
os períodos em que os agricultores estão comprando os
defensivos agrícolas, pois podem trazer as embalagens vazias
acumuladas da safra anterior e entregar no ponto de recepção.
Que estes Postos
Volantes, também chamados de Transbordos ou de Coletas Itinerantes,
se multipliquem, pois a função que, em especial, desenvolvem
junto a pequenos agricultores é essencial ao sucesso da grande
tarefa que o País se propôs realizar.