Nº 035

Maio/2001
POSTOS VOLANTES

No ano de 1999, os defensivos agrícolas foram acondicionados e comercializados em 107 milhões de embalagens, que, vazias, pesariam cerca de 24 milhões de quilos, segundo levantamento do setor industrial.

Retirar todo esse contingente de vasilhames do campo, a cada ano, é uma tarefa colossal, considerando (a) a grande extensão do território brasileiro, (b) a discussão do projeto e organização em cada comunidade, (c) o levantamento dos recursos, (d) a obtenção de licenças e alvarás para construção dos projetos (unidades de recebimento), (e) o treinamento de técnicos e operadores e, (f) a educação de massa para motivar o usuário a devolver.

Contudo, o sistema de recebimento dessas embalagens vazias toma corpo em todo o País, visando facilitar a devolução pelo usuário e a logística de encaminhamento ao destino final. Construídas e operando, já se pode contar 50 unidades; em construção ou em planejamento para este ano, outras 50 unidades. Considere-se, ainda, que esse número de unidades foi em maioria de iniciativa da Indústria, que estimulou técnica e financeiramente as comunidades locais a realizarem os projetos (uma exceção a destacar é o Programa do Paraná, cujas unidades foram construídas pelo Governo Estadual).

Agora, está em curso uma grande movimentação das Cooperativas e Revendedores, agregando força e dinamismo ao sistema. Portanto, é impossível estimar qual será o mapa dessas unidades, conhecidas por postos e por centrais (essas últimas, processam as embalagens, reduzindo o volume para o transporte ao destino final), nos próximos 12 meses. Na prática, pode ser um caminhão gôndola ou mesmo de caçamba removível, fazendo um roteiro pré-estabelecido e com datas pré-agendadas, tudo bem divulgado na comunidade rural.
Também, podem ser, pontos fixos de recepção, onde o material é recolhido e, ao final do dia, é levado para armazenamento em uma unidade. Dispõem de pessoas treinadas para fazer uma primeira triagem e separação do material coletado, bem como instruir corretamente os agricultores ainda carentes de informação.

Paralelamente, um outro subsistema de recebimento das embalagens se estabelece, como um poderoso aliado das unidades. Trata-se da coleta programada, um verdadeiro multirão de limpeza que, de forma organizada, recebe diretamente do usuário e entrega em uma unidade.

Essas formas, inventivas e práticas, devem adaptar-se, é claro, aos novos ditames de legislação específica, em especial, mantendo controles de identificação dos usuários e suas respectivas embalagens devolvidas. Etiquetas podem ser coladas em cada embalagem ou em cada agrupamento de embalagens (em caixas, sacos, etc.). Separar as embalagens contaminadas das não-contaminadas é outro cuidado necessário, bastando agrupá-las e isolá-las no transporte. O usuário, por seu turno, deve receber algum comprovante da entrega.

É um sistema interessante para ser aplicado, principalmente em regiões com concentração de minifúndios ou por cooperativas com entrepostos. A época escolhida, deve ser aquela em que a demanda por serviços de transporte em outros setores seja mais baixa e, as datas pré-fixadas devem ser sincronizadas com o gestor da unidade de recebimento que acolherá o material. É, também, importante aproveitar os períodos em que os agricultores estão comprando os defensivos agrícolas, pois podem trazer as embalagens vazias acumuladas da safra anterior e entregar no ponto de recepção.

Que estes Postos Volantes, também chamados de Transbordos ou de Coletas Itinerantes, se multipliquem, pois a função que, em especial, desenvolvem junto a pequenos agricultores é essencial ao sucesso da grande tarefa que o País se propôs realizar.

AENDA - Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos