O mercado
de pesticidas agrícolas tem duas forças antagônicas
a modelá-lo. São o agrupamento dos produtos sob patente
e o dos produtos genéricos. Veja na figura a situação
global em 1997 e a estimada para 2007.

Fonte:
PSL estimates
Em geral, os produtos sob-patentes
exigem boa densidade de capital, para suportar os investimentos em
pesquisa, tecnologia, dados toxicológicos e busca de posicionamento
no mercado. Recebem o benefício de uma exclusividade mercadológica
por 20 anos, instituído pelo sistema internacional de patentes.
Os produtos genéricos (cópias dos produtos originais)
herdam um mercado aberto pela companhia inventora, evitando uma série
de investimentos mas, encontram uma situação um tanto
quanto de desgaste e ainda promovem uma exacerbada competição,
pois sabem que o obsoletismo do produto em questão pode estar
perto.
Desse conflito tira proveito
o agricultor, que fica de olho na queda dos preços com o ingresso
de mais competidores de um mesmo ingrediente ativo. Tanto assim, que
sua cesta de compra contempla muito mais os produtos genéricos,
como observamos na figura.
No Brasil, o quadro tem
um agravante: maior concentração de competidores. Aqui,
um mercado de US$ 2,5 bilhões no ano de 2000 é abocanhado
em 50% por apenas 4 empresas, em 70% por 7 empresas e em 85% por 10
empresas.
No site da AENDA, podemos
ver claramente na página CONCORRÊNCIA: dos 396 ingredientes
ativos (sendo 91 misturas de ing. ativos) apresentados, 290 têm
1 só ofertante, ou seja, 73%. Com 2 ofertantes, 51 ativos.
E, com 3 ou mais ofertantes, apenas 55 ativos, cerca de 14%.
Com paciência, podemos
também verificar nessa longa tabela que o número de
empresas registrantes e potencialmente ofertantes, se limita a 68.
Inacreditável, para um país dessa dimensão e
uma pujante agricultura. Também, na coluna de “3 ou mais
ofertantes”, aquela mais interessante do ponto de vista do usuário,
verificamos um total de 448 marcas comerciais, sendo apenas 213 (47%)
de empresas dedicadas unicamente a produtos genéricos. Isso
indica que os genéricos, antes reduto das empresas nacionais
e de outras estrangeiras dedicadas a genéricos, estão
cada vez mais sendo ofertados pelas grandes companhias que detêm
também os produtos sob-patentes.
As razões para tal
concentração da oferta passam principalmente pelo hermético
e discricionário sistema de registro dos produtos, que não
leva em conta as regras internacionais de similaridade ou equivalência.
Afora isso, temos o ainda alto juro bancário que, aliado à
progressiva diminuição do custeio governamental ao agricultor,
modificou absurdamente a regra do jogo da concorrência deste
importante insumo: quem pode oferta a prazos de safra, 180 a 360 dias,
quem não pode não joga ou se contenta em jogar em campos
minados de inadimplência e outros riscos. Perdem terreno aceleradamente
as empresas de capital nacional. Nestes últimos anos algumas
já foram absorvidas por capitais ultramarinos, outras transformadas
em fábricas unicamente prestadoras de serviço, diversas
estagnaram ou encerraram a atividade. Poucas sobreviveram com a mesma
identidade e com capacidade de desenvolvimento. Será isso considerado
como concorrência desleal nos países ditos do primeiro
mundo? Por aqui ninguém liga.
Em tempos de competitividade
o governo brasileiro precisa estar atento. Precisa reajustar o tabuleiro
deste jogo, ser aliado do usuário no financiamento parelho
com os concedidos aos agricultores dos países concorrentes
e coibir situações inibidoras da oferta democrática,
adotando uma política industrial condizente com os problemas
da atualidade, antes que não mais precise.