O agricultor
está sempre reclamando do preço dos insumos utilizados
para otimizar suas produções agrícolas. Via de
regra, o desequilíbrio das contas está mais para a queda
do preço do próprio produto agrícola. Veja, abaixo
um exemplo de relação de troca. Para maiores informações,
acesse o site www.aenda.org.br.
| Item |
Unidade |
Jan/00 |
Abr/00 |
Ago/00 |
Out/00 |
Jan/01 |
Abr/01 |
| Preços recebidos
de milho |
60 kg |
15,41 |
11,71 |
13,17 |
12,34 |
9,99 |
8,57 |
| Preço do Gesaprim
500 |
5 litros |
41,77 |
39,26 |
41,02 |
42,23 |
41,11 |
40,03 |
| Relação
de troca |
|
2,71 |
3,35 |
3,11 |
3,42 |
4,12 |
4,67 |
| Índice |
|
100 |
124 |
115 |
126 |
100 |
114 |
Pressionado,
por essas recidivas quedas nos preços agrícolas, o agricultor
esbraveja para todos os lados, tentando encontrar motivos para os
desalinhos. A grande verdade é que o produto alimentar tende
a ser suportado por políticas protecionistas, pois é
a base maior do bem estar de um povo. Assim, os países desenvolvidos
preferem subsidiar seus agricultores, das mais diversas formas, do
que ajustar os preços de venda dos alimentos para uma realidade
meramente contábil; e, os vasos comunicantes do comércio
internacional promovem uma contaminação imediata desta
política nos preços da agricultura. O Brasil deve adotar
a mesma estratégia e ações concretas, pois a
agricultura é sem dúvida a atividade com o mais alto
risco para quem aposta aí suas fichas. O imprevisível
risco climático somado ao imponderável risco mercadológico
consomem muita energia e recursos do agricultor. Há que se
buscar a globalização dos instrumentos de equilíbrio
produtivo e comercial, na mão e na contramão.
De nada adiantam as medidas
imediatistas, como por exemplo, a abertura total e indiscriminada
para importações de insumos. Isso só desestabiliza
o parque produtivo aqui instalado e não enfrenta o problema
em suas raízes.
A propósito, é
interessante lembrar que o país esteve próximo de uma
auto-suficiência na oferta nacional dos defensivos agrícolas
nos anos 70, quando o perfil de produtos era preponderantemente de
substâncias organocloradas. Naquele período existia uma
política industrial de incentivo à produção
local, com altas alíquotas de importação, necessária,
porquanto o país não tinha tradição neste
setor industrial. Nos anos 80, os organoclorados foram banidos e,
conseqüentemente, as fábricas fechadas. Nos anos 90, ocorreu
um rápido desgravamento das alíquotas de importação,
contribuindo para encerramento de outras fábricas ou de operações
fabris e, ainda, para a postergação ou cancelamento
de investimentos no Brasil.
Hoje, o panorama está
invertido. O valor das importações (matérias
primas + produtos técnicos + produtos formulados) supera a
metade das vendas internas, como se observa no gráfico abaixo,
com dados do SINDAG, em bilhões de dólares.

O mercado brasileiro de
pesticidas já é o 3º do mundo e tende a expandir
com o crescimento horizontal e vertical da nossa agricultura. Sem
sonhar com o mundo de amanhã e suas soluções
"limpas", passando inclusive pelas biotecnológicas,
o agricultor vive a realidade de hoje e precisa muito ainda dos agroquímicos
para preservar suas colheitas. Passar a importar mais ainda do que
já se importa é destruir completamente o parque fabril
existente e ficar sem opção para as futuras oscilações
da conjuntura internacional. Se hoje, o preço do defensivo
brasileiro é um pouco mais caro que o de algumas procedências
(referindo-se a produtos com patente expirada), não é
por incompetência tecnológica ou ganância do empresário
tupiniquim; muito mais pelo momento histórico da economia brasileira,
com seu alto custo do dinheiro, sua carga de impostos e algumas outras
ineficiências estruturais do país. Mas, quem mira ao
menos para o médio prazo percebe que o Brasil está paulatinamente
(com erros e acertos) ajustando seu rumo. Não é sensato
aniquilar um setor industrial na vã tentativa de diminuir alguns
trocados na cesta de compra dos insumos agrícolas. Mais inteligente
é incentivar a oferta de produtos genéricos, alterando
o sistema de registro vigente, o que em pouco tempo acirrará
a concorrência. Nesta direção, o governo está
prestes a incorporar o sistema de equivalência química
no processo de registro dos produtos genéricos, alinhando-se
às regras internacionais e dando força à competição.
Quanto às alíquotas
de importação, estas já foram reduzidas para
níveis adequados, bastando agora um monitoramento, para ajustes
pontuais, produto a produto, de acordo com cada situação:
produção interna e pleno abastecimento do mercado ou
não, sem esquecer da observação continuada das
tendências monopolistas.