Os
jornais estampam o desenvolvimento de resistência do mosquito
Aedes aegypti a alguns ingredientes ativos utilizados no combate ao
vetor dos flavivírus, gênero de arbovírus causador
do Dengue. A SUCEN, Superintendência de Controle de Endemias
de São Paulo trocou o inseticida cipermetrina pelo malathion
abolido em 1991 e na baixada santista investe no Bacillus thuringiensis
var. israelensis em substituição ao larvicida temefós.
No contexto natural,
a resistência não é criada, ela advém de
um fator genético pré-existente em alguns indivíduos.
Assim, existe uma correlação direta com o controle em
massa das populações de pragas. Os indivíduos
sem o fator-resistência são eliminados e a propagação
daquela população passa a ser, paulatinamente mais por
indivíduos sobreviventes, portadores do fator. É claro
que ela pode surgir de mutações, que são fenômenos
casuais na natureza ou até mesmo em decorrências das
transposições genéticas de um organismo a outro
de forma natural, embora ainda não totalmente comprovadas.
A ciência não pode ainda determinar a previsibilidade
do surgimento da resistência, mas um monitoramento cuidadoso
pode observar essa pressão de seleção e construir
curvas de tendências.
Em campanhas de
saúde pública a pressão de seleção
é forte, posto o uso maciço de um ou dois ingredientes
ativos por um período continuado que abarca algumas gerações
do alvo biológico. As nebulizações em volume/tempo
podem oscilar muito e concentração errônea por
área certamente acelera o processo da resistência. O
treinamento sistemático dos aplicadores, a melhoria dos métodos
e técnicas de aplicação e um controle de qualidade
dos produtos empregados devem ser cuidadosamente planejados e perseguidos.
Da troca
de produtos realizada pela SUCEN uma dedução interessante
nos assalta: o fator-resistência nas populações
dos mosquitos não tem manifesta perpetuação.
Produto que vai é produto que vem anos depois, capaz de novamente
controlar esses culicídeos.
No caso da agricultura
a resistência se manifesta mais lentamente em razão da
dispersão das aplicações e maior casualidade
dos tipos de produtos utilizados.
Para o agricultor
a resistência tem dramática importância, pois significa
maior número de tratamentos e custos maiores ou, tanto pior,
menor produtividade e abandono da cultura ou até mesmo da terra.
Mas não
é preciso ficar de braços cruzados à espera do
inevitável. Faça um planejamento de médio prazo
para sua lavoura de amplitude comercial, digamos, para três
safras, com aplicações de inseticidas, fungicidas e
herbicidas levando em conta o arsenal de métodos e produtos
à disposição para um manejo integrado das pragas.
Lembre-se que existem diversos métodos de controle além
do químico: culturais (uso de variedades resistentes, alteração
da época do plantio, etc.), mecânicos (uso de barreiras,
armadilhas, destruição dos restos de cultura, etc.),
físicos (calor, frio, som, etc.), biológicos (introdução
de parasitóides e predadores, preferência a produtos
que afetam menos os inimigos naturais). Monitore sua lavoura, contando
as pragas e só aplique produtos no limiar econômico dos
custos de aplicação versus o prejuízo estimado;
os institutos de pesquisa têm desenvolvido regionalmente esses
indicadores. Outra coisa, dependendo da praga, verifique qual o estágio
de vida mais susceptível ao controle dos produtos. Alterne
os produtos que controlam a praga, de forma a realizar uma rotação
entre ingredientes ativos com diferentes mecanismos de ação
letal ao organismo da praga. Logicamente, o maquinário
de aplicação deve estar bem vistoriado para não
proporcionar cobertura desigual, neste mister não esqueça
que volume e pressão empregados devem ser previamente estudados.
Como se vê,
o controle de pragas é uma tarefa complexa. Utilize a assistência
de um técnico experiente. Exija dele um quadro com todas as
alternativas. Aplique custos nesses quadros. Não esqueça
que existem produtos líderes e produtos genéricos similares
ou, para empregar uma palavra mais moderna, equivalentes, contendo
os mesmos ingredientes ativos. Decida você.