Nº 057

Maio/2003
O BURACO DE OZÔNIO E O PESTICIDA

Você sabia que o culpado pelo buraco de ozônio é também um pesticida usado no Brasil? Se não sabia, continue lendo. Parece até aquela peculiar literatura de cordel, onde se narra histórias com tamanho absurdo e tragicidade que passa a sensação de uma mera brincadeira teatral. Neste caso, contada por ambientalista em viagem sideral.
Lá nas alturas de 30 km existe uma camada com relativamente alta concentração de ozônio ( O3 ), um gás de oxigênio produzido fotoquimicamente e transportado pelas correntes atmosféricas. É a Ozonosfera, uma camada desenvolvida durante bilhões de anos, de espessura variável conforme a estação do ano e a localização espacial. Essa camada impede grande parte da entrada de letais raios ultravioletas emanados pela caldeira solar.

Além disso, absorve parte da radiação infravermelha terrestre, ajudando um pouco (5%, segundo estimativas) a manter a Terra aquecida e permitindo o desenvolvimento da vida como conhecemos. Os grandes heróis pela retenção da radiação infravermelha são na verdade o vapor d’água (79%) e o gás carbônico que contribui com 14%. Os outros 2% dessa legião de heróis climáticos são outros gases, como o metano, o óxido nitroso, os perfluorcarbonos, os clorofluorcarbonos, o dióxido de enxofre e o amoníaco.
Essa turma toda é conhecida como os agentes do efeito estufa, um processo natural que cientistas alarmistas especulam estar em rota de desequilíbrio: o planeta esquentando, geleiras derretendo, mares subindo e cidades costeiras sendo tragadas em futuro próximo.

Mas os cientistas descobriram o aspecto paradoxal da natureza. Alguns dos heróis responsáveis pelo equilíbrio do efeito estufa, assumem outra personalidade e atacam a camada de ozônio. Os óxidos de nitrogênio existentes na natureza são os principais vilões, pois reagem com o ozônio, transformando-o em oxigênio. Essa aparente diminuição do ozônio, em razão de observações no pólo norte, preocupa bastante a ciência moderna que batizou o fenômeno de buraco de ozônio. Alguns compostos produzidos pelo homem também respondem por uma certa parte dessa equação, principalmente os compostos halogênios, ou seja, que contêm cloro, flúor, bromo ou iodo em forma molecular muito estável. As reações são cíclicas, ou seja, em cadeia destroem o ozônio, mas ao mesmo tempo o regeneram, entretanto o resultado final é desfavorável ao ozônio, até onde o conhecimento atual alcança. O produto de maior dimensão, dentre os produzidos artificialmente, é o diclorodifluorometano ( CCl2F2), usado como refrigerador em geladeiras e condicionadores de ar.
Existem compostos artificiais que atuam no sentido inverso, formando O3. É o caso dos óxidos de carbono e do metano. Como notícia boa não vende muito, fica apenas no rodapé. Vulcões têm sua cota de participação, pois expelem cloro na forma de HCl, mas os ambientalistas fazem círculos humanos em volta para defendê-los. Não é nada disso...
Por falar em paradoxo, favor não confundir as virtudes do ozônio quando locado na estratosfera com os seus efeitos poluentes e biocidas quando circula na superfície, em especial gerado a partir dos escapamentos de veículos.
Finalmente, durante uma reunião em Montreal-1989, elaborou-se um Protocolo, assinado por 134 países. Nesse protocolo foram apontados os agentes artificiais agressores do ozônio estratosférico e planificada tentativamente a redução destas substâncias. Assim, só para exemplificar os mais importantes: os clorofluorocarbonetos (CFC) e os tetracloretos de carbono (CCl4) seriam retirados 100% em 1996 e os hidroclorofluorocarbonetos (HCFC) seriam reduzidos em 65% até 2010 e 100% em 2030. Surpreendentemente, essas metas estão sendo cumpridas, com alguns ajustes.
Mas, não podia faltar um pesticida nesta história. E, surge o brometo de metila (CH3Br), um poderoso esterilizante para solos de canteiros e fumigação de porões de navio, de grãos e de formigueiros. Vagarosamente esse gás sobe até a estratosfera e por reação catalítica contamina, digo, dissocia o ozônio. Por ser relativamente menor no cômputo geral, teve apenas sua produção congelada a partir de 1995. Estabelecendo-se redução de 50% para 2001.
Nos Estados Unidos o consumo era cerca de 25.500 ton/ano. Em 2001 foi atingido o compromisso de redução para 12.000 ton. Mas, a partir daí o EPA fez o balanço das alternativas ao uso do brometo, do ponto de vista de eficácia e economicidade e estabeleceu reduzir para 9,4 ton em 2006. As culturas e situações que continuam com uso permitido são: berinjela, melão, melancia, gengibre, morango, batata doce, tomate, canteiros para frutíferas, para ornamentais, para hortícolas e para reflorestamento, esterilização de gramados, de grãos armazenados e de específicos processos de alimento industrializado.
Já no Brasil de cordel...o uso em 1995 atingia 900 ton, 3,5% dos Estados Unidos. Três vírgula cinco por cento! Um programa educativo executado pelo Ministério do Meio Ambiente permitiu substituir grande parte do produto nas aplicações em canteiros da cultura do fumo. Além disso, as Companhias de Fumo passaram a excluir fumicultores que usassem pesticidas de periculosidade alta, caso do brometo de metila. Certamente a concorrência incomodava: um fumicultor que acidentalmente seja intoxicado ao manipular um pesticida poderia ser um fumante a menos. Também, a fumigação dos grãos armazenados passou a ser feita com fosfina. De forma que em 2001 o consumo já era de apenas 400 ton.
Em 2002, o deus IBAMA e a deusa ANVISA, num surto incontrolável de soberba proibiram o brometo de metila, exceto nas operações de exportação e importação para esterilizar alguma mercadoria suspeita de conter praga exógena. A deusa da AGRICULTURA nada pode fazer, pois, não se sabe bem porque, tem menos prestígio perante Zeus.
E, A COMPETITIVIDADE BRASILEIRA FOI MAIS UMA VEZ ATROPELADA POR NÓS MESMOS

AENDA - Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos