Você
sabia que o culpado pelo buraco de ozônio é também
um pesticida usado no Brasil? Se não sabia, continue lendo.
Parece até aquela peculiar literatura de cordel, onde se narra
histórias com tamanho absurdo e tragicidade que passa a sensação
de uma mera brincadeira teatral. Neste caso, contada por ambientalista
em viagem sideral.
Lá nas alturas de 30 km existe uma camada com relativamente
alta concentração de ozônio ( O3 ), um gás
de oxigênio produzido fotoquimicamente e transportado pelas
correntes atmosféricas. É a Ozonosfera, uma camada desenvolvida
durante bilhões de anos, de espessura variável conforme
a estação do ano e a localização espacial.
Essa camada impede grande parte da entrada de letais raios ultravioletas
emanados pela caldeira solar.
Além disso, absorve
parte da radiação infravermelha terrestre, ajudando
um pouco (5%, segundo estimativas) a manter a Terra aquecida e permitindo
o desenvolvimento da vida como conhecemos. Os grandes heróis
pela retenção da radiação infravermelha
são na verdade o vapor d’água (79%) e o gás
carbônico que contribui com 14%. Os outros 2% dessa legião
de heróis climáticos são outros gases, como o
metano, o óxido nitroso, os perfluorcarbonos, os clorofluorcarbonos,
o dióxido de enxofre e o amoníaco.
Essa turma toda é conhecida como os agentes do efeito estufa,
um processo natural que cientistas alarmistas especulam estar em rota
de desequilíbrio: o planeta esquentando, geleiras derretendo,
mares subindo e cidades costeiras sendo tragadas em futuro próximo.
Mas os cientistas
descobriram o aspecto paradoxal da natureza. Alguns dos heróis
responsáveis pelo equilíbrio do efeito estufa, assumem
outra personalidade e atacam a camada de ozônio. Os óxidos
de nitrogênio existentes na natureza são os principais
vilões, pois reagem com o ozônio, transformando-o em
oxigênio. Essa aparente diminuição do ozônio,
em razão de observações no pólo norte,
preocupa bastante a ciência moderna que batizou o fenômeno
de buraco de ozônio. Alguns compostos produzidos pelo homem
também respondem por uma certa parte dessa equação,
principalmente os compostos halogênios, ou seja, que contêm
cloro, flúor, bromo ou iodo em forma molecular muito estável.
As reações são cíclicas, ou seja, em cadeia
destroem o ozônio, mas ao mesmo tempo o regeneram, entretanto
o resultado final é desfavorável ao ozônio, até
onde o conhecimento atual alcança. O produto de maior dimensão,
dentre os produzidos artificialmente, é o diclorodifluorometano
( CCl2F2), usado como refrigerador em geladeiras e condicionadores
de ar.
Existem compostos artificiais que atuam no sentido inverso, formando
O3. É o caso dos óxidos de carbono e do metano. Como
notícia boa não vende muito, fica apenas no rodapé.
Vulcões têm sua cota de participação, pois
expelem cloro na forma de HCl, mas os ambientalistas fazem círculos
humanos em volta para defendê-los. Não é nada
disso...
Por falar em paradoxo, favor não confundir as virtudes do ozônio
quando locado na estratosfera com os seus efeitos poluentes e biocidas
quando circula na superfície, em especial gerado a partir dos
escapamentos de veículos.
Finalmente, durante uma reunião em Montreal-1989, elaborou-se
um Protocolo, assinado por 134 países. Nesse protocolo foram
apontados os agentes artificiais agressores do ozônio estratosférico
e planificada tentativamente a redução destas substâncias.
Assim, só para exemplificar os mais importantes: os clorofluorocarbonetos
(CFC) e os tetracloretos de carbono (CCl4) seriam retirados 100% em
1996 e os hidroclorofluorocarbonetos (HCFC) seriam reduzidos em 65%
até 2010 e 100% em 2030. Surpreendentemente, essas metas estão
sendo cumpridas, com alguns ajustes.
Mas, não podia faltar um pesticida nesta história. E,
surge o brometo de metila (CH3Br), um poderoso esterilizante para
solos de canteiros e fumigação de porões de navio,
de grãos e de formigueiros. Vagarosamente esse gás sobe
até a estratosfera e por reação catalítica
contamina, digo, dissocia o ozônio. Por ser relativamente menor
no cômputo geral, teve apenas sua produção congelada
a partir de 1995. Estabelecendo-se redução de 50% para
2001.
Nos Estados Unidos o consumo era cerca de 25.500 ton/ano. Em 2001
foi atingido o compromisso de redução para 12.000 ton.
Mas, a partir daí o EPA fez o balanço das alternativas
ao uso do brometo, do ponto de vista de eficácia e economicidade
e estabeleceu reduzir para 9,4 ton em 2006. As culturas e situações
que continuam com uso permitido são: berinjela, melão,
melancia, gengibre, morango, batata doce, tomate, canteiros para frutíferas,
para ornamentais, para hortícolas e para reflorestamento, esterilização
de gramados, de grãos armazenados e de específicos processos
de alimento industrializado.
Já no Brasil de cordel...o uso em 1995 atingia 900 ton, 3,5%
dos Estados Unidos. Três vírgula cinco por cento! Um
programa educativo executado pelo Ministério do Meio Ambiente
permitiu substituir grande parte do produto nas aplicações
em canteiros da cultura do fumo. Além disso, as Companhias
de Fumo passaram a excluir fumicultores que usassem pesticidas de
periculosidade alta, caso do brometo de metila. Certamente a concorrência
incomodava: um fumicultor que acidentalmente seja intoxicado ao manipular
um pesticida poderia ser um fumante a menos. Também, a fumigação
dos grãos armazenados passou a ser feita com fosfina. De forma
que em 2001 o consumo já era de apenas 400 ton.
Em 2002, o deus IBAMA e a deusa ANVISA, num surto incontrolável
de soberba proibiram o brometo de metila, exceto nas operações
de exportação e importação para esterilizar
alguma mercadoria suspeita de conter praga exógena. A deusa
da AGRICULTURA nada pode fazer, pois, não se sabe bem porque,
tem menos prestígio perante Zeus.
E, A COMPETITIVIDADE BRASILEIRA FOI MAIS UMA VEZ ATROPELADA POR NÓS
MESMOS