Nº 060

Agosto/2003
RESÍDUO DE PESTICIDA COMO BARREIRA NÃO TARIFÁRIA


Cenário 1: United States of América alguns anos à frente

Nesse ano bissexto os furacões fustigam notadamente a região do Golfo do México. Monika, Binlady, Allkaeda, Sadamna... deixam suas marcas com fúria avassaladora.
Os lavradores mais antigos soltam imprecações culpando o agouro da coincidência do calendário ao verem derreados e inaproveitáveis pés-de-cana espalhados em centenas de acres. Arrancam os mirrados e jovens colmos que não serviriam nem para separar toletes com gemas. Não houvera tempo para desenvolvimento. Prejuízo total.
Nosso representante nos Estados Unidos envia um clipping das notícias da região. O principal jornal anotara em manchete: “PLANTADORES DE CANA PEDEM SOCORRO”. O texto em resumo dizia: “Reunidos na ACINU – Agro Cane Industry National Union, canavieiros discutem a gravidade da situação causada pelo fenômeno climático. Edward Oak, Presidente da ACINU, declarou: é uma verdadeira calamidade, uma desgraça em dobro, pois justo este ano o governo liberou o sistema de cota e baixou a proteção tarifária contra o açúcar brasileiro, e agora,...essa queda de 45% na produção segundo as primeiras estimativas”.-Washington Post, page 2, february 29.

Cenário 2: Reunião no National Council of Foreign Trade
-- Temos estoque para um ano, mas o açúcar brasileiro vai entrar e se estabelecer definitivamente.
-- Que tal usar barreiras não tarifárias, tipo fitossanitárias?
-- Mas como, se é um produto semi-industrializado?
-- Há uma saída, já usamos isso um pouco no suco de laranja... simplesmente apertamos os limites de tolerância de resíduos para alguns pesticidas usados lá na cana-de-açúcar e não aceitamos mais açúcar de canaviais que usem outros pesticidas mais antigos. Nosso modelo econômico absorve, mas o deles não. Levarão uns 2 anos para reorganizarem o sistema de tratamento fitossanitário.
-- Grande idéia! Tenho ascendência política sobre o Richard Olivier, Superintendente do EPA (Estrategic Protection Agency) e, ele precisa de apoio por causa das derrapadas no controle de emissão de carbono.
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-- Richard, escute-me, precisamos fazer algumas mudanças nos LMRs, coisa pouca, mas de extrema importância econômica e política. Você pode vir aqui amanhã às 10 a.m.? Por favor, investigue quais os principais pesticidas usados no Brasil em cana-de-açúcar.
-- OK! A cesta de produtos é fácil, é só entrar no site da AENDA, no Brazil.

Cenário 3 – Exportações brasileiras de açúcar
Continuamos encalhados em 110.000 toneladas para o parceiro do norte, mesmo sendo gentilmente agraciados com uma cota de 150.000 ton/ano, cerca de 10% das necessidades de importação de lá. Sobretaxas (US$ 305 a 356 / ton de açúcar), tarifas protecionistas e forças ocultas ditam os limites reais do mercado. O negócio é arriscar na Rússia mesmo e insistir na diversificação da exportação para países árabes e alguns asiáticos. A Europa nem pensar; lá a resistência ao nosso açúcar é maior ainda. Só gostam do açúcar-de-beterraba nativo; e, haja cotas e preços referenciais somados a altas tarifas para salvar o rubro tubérculo.

AENDA - Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos