Cenário
1: United States of América alguns anos à frente
Nesse ano bissexto os furacões fustigam notadamente a região
do Golfo do México. Monika, Binlady, Allkaeda, Sadamna... deixam
suas marcas com fúria avassaladora.
Os lavradores mais antigos soltam imprecações culpando
o agouro da coincidência do calendário ao verem derreados
e inaproveitáveis pés-de-cana espalhados em centenas
de acres. Arrancam os mirrados e jovens colmos que não serviriam
nem para separar toletes com gemas. Não houvera tempo para
desenvolvimento. Prejuízo total.
Nosso representante nos Estados Unidos envia um clipping das notícias
da região. O principal jornal anotara em manchete: “PLANTADORES
DE CANA PEDEM SOCORRO”. O texto em resumo dizia: “Reunidos
na ACINU – Agro Cane Industry National Union, canavieiros discutem
a gravidade da situação causada pelo fenômeno
climático. Edward Oak, Presidente da ACINU, declarou: é
uma verdadeira calamidade, uma desgraça em dobro, pois justo
este ano o governo liberou o sistema de cota e baixou a proteção
tarifária contra o açúcar brasileiro, e agora,...essa
queda de 45% na produção segundo as primeiras estimativas”.-Washington
Post, page 2, february 29.
Cenário
2: Reunião no National Council of Foreign Trade
-- Temos estoque para um ano, mas o açúcar brasileiro
vai entrar e se estabelecer definitivamente.
-- Que tal usar barreiras não tarifárias, tipo fitossanitárias?
-- Mas como, se é um produto semi-industrializado?
-- Há uma saída, já usamos isso um pouco no suco
de laranja... simplesmente apertamos os limites de tolerância
de resíduos para alguns pesticidas usados lá na cana-de-açúcar
e não aceitamos mais açúcar de canaviais que
usem outros pesticidas mais antigos. Nosso modelo econômico
absorve, mas o deles não. Levarão uns 2 anos para reorganizarem
o sistema de tratamento fitossanitário.
-- Grande idéia! Tenho ascendência política sobre
o Richard Olivier, Superintendente do EPA (Estrategic Protection Agency)
e, ele precisa de apoio por causa das derrapadas no controle de emissão
de carbono.
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-- Richard, escute-me, precisamos fazer algumas mudanças nos
LMRs, coisa pouca, mas de extrema importância econômica
e política. Você pode vir aqui amanhã às
10 a.m.? Por favor, investigue quais os principais pesticidas usados
no Brasil em cana-de-açúcar.
-- OK! A cesta de produtos é fácil, é só
entrar no site da AENDA, no Brazil.
Cenário
3 – Exportações brasileiras de açúcar
Continuamos encalhados em 110.000 toneladas para o parceiro do norte,
mesmo sendo gentilmente agraciados com uma cota de 150.000 ton/ano,
cerca de 10% das necessidades de importação de lá.
Sobretaxas (US$ 305 a 356 / ton de açúcar), tarifas
protecionistas e forças ocultas ditam os limites reais do mercado.
O negócio é arriscar na Rússia mesmo e insistir
na diversificação da exportação para países
árabes e alguns asiáticos. A Europa nem pensar; lá
a resistência ao nosso açúcar é maior ainda.
Só gostam do açúcar-de-beterraba nativo; e, haja
cotas e preços referenciais somados a altas tarifas para salvar
o rubro tubérculo.