Pouco mudou no perfil da oferta de
defensivos agrícolas nos últimos anos. A AENDA vem fazendo
acompanhamento da divisão do faturamento no mercado brasileiro
entre as empresas e da distribuição dos produtos levando
em conta o número de ofertantes por ingrediente ativo.
Merece uma comparação entre os números levantados
que retratam os anos de 2000 e 2002.
| Concentração
da oferta |
Mercado
Brasileiro em Bilhões de Dólares |
| 2000 |
% |
2002 |
% |
| 04 empresas |
1,19 |
48 |
1,03 |
53 |
| 07 empresas |
1,75 |
70 |
1,50 |
77 |
| 10 empresas |
2,14 |
85 |
1,73 |
89 |
| Demais empresas |
0,36 |
15 |
0,22 |
11 |
| MERCADO TOTAL |
2,50 |
100 |
1,95 |
100 |
Como se pode observar a oferta concentrada
na mão de poucos aumentou mais ainda de 2000 para 2002. As
quatro maiores empresas acresceram 5 pontos percentuais, atingindo
53% do mercado brasileiro; as sete primeiras agregaram 7 pontos percentuais
alcançando 77%; e as dez mais somaram 4 pontos abocanhando
simplesmente 89% do mercado.
| Ano |
Nº de Ingredientes ativos
com uma (1) empresa ofertante |
Nº de Ingredientes ativos
com duas (2) empresa s ofertantes |
Nº de Ingredientes ativos
com três (3) ou mais empresas ofertantes |
| 2000 |
290 |
51 |
50 |
| 2002 |
300 |
55 |
51 |
| 2003 até
jul. |
314 |
56 |
51 |
| OBS:
No número de ingredientes ativos estão incluídas
tambem as misturas de ingredientes ativos |
A última coluna representa
os ingredientes ativos em concorrência plena. Como podem observar
de 2000 a 2003 só foi agregado um (1) ingrediente ativo. Unzinho!
Dos 427 ingredientes ativos (ou misturas destes) registrados apenas
51 (12%) disputam o mercado em um nível de forte concorrência.
São números absolutamente estranhos
para um país que aprovou em janeiro de 2002 um Decreto implantando
o regime da equivalência química para registro de produtos
com patente caducada. O governo, sob a coordenação da
Casa Civil, atendeu aos rogos da sociedade e deu condições
técnicas e regulamentares para o aumento da concorrência,
por qual razão a oportunidade não está sendo
aproveitada? O que está ocorrendo?
A explicação é a mesma de sempre,
desde que o sistema de registro passou a ser administrado por três
Órgãos de Ministérios diferentes (Agricultura,
Saúde e Meio Ambiente): as tarefas necessárias para
o registro de produto são realizadas a passo de tartaruga e
freqüentemente travadas por desentendimento entre os três
setores. Faltam procedimentos para solução de controvérsias.
No caso da equivalência a questão é mais dramática
por tratar-se de uma técnica nova no Brasil e sem pleno domínio
ainda por parte dos avaliadores.
Em agosto de 2002, sete meses após a edição
do Decreto 4074, os três Órgãos reunidos em um
Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos,
publicaram a Instrução Normativa Nº 49 para incluir
dispositivos detalhando o registro por equivalência. O Comitê
conseguiu desagradar gregos e troianos, leiam-se empresas que desenvolveram
os ingredientes ativos e empresas copiadoras após o vencimento
das patentes. Essas empresas, adversárias comerciais naturais,
deram um exemplo de democracia e apresentaram em conjunto ao governo
uma proposta de modificação da IN 49, através
de suas entidades representativas. Estamos em setembro de 2003, vinte
(20) meses após o Decreto 4074, e nada foi resolvido. O regime
da equivalência continua sendo uma quimera. Pior! Hoje só
existe uma forma de registrar um defensivo agrícola genérico:
apresentar dossiês completos, agronômico, toxicológico
e ambiental, tal qual o exigido para novos ingredientes ativos. De
tal forma que um produto genérico só é registrado
através de acordos entre as empresas maiores, que trocam dossiês
de produtos em alianças para dotar suas linhas de venda do
máximo possível de opções para tirar melhor
proveito das demandas regionais. As empresas médias e pequenas
ficam fora do tabuleiro. Voltam, ou por outra, continuam a mendigar
sombra do guarda-sol das grandes.
O Decreto 4074, introdutor do regime de equivalência,
foi fruto de intensa discussão da sociedade e agora vira letra
morta naquilo de mais contributivo que trouxe para afrouxar as amarras
deste mercado oligopolista.
Faltava rumo,
agora falta pulso na governabilidade!