O
Brasil como signatário do Protocolo de Montreal deveria tomar
atitudes para diminuir os gases artificiais que promovem parte da
redução da camada de ozônio e sua relação
com câncer de pele, redução do fitoplâncton
e outras conseqüências à saúde dos seres
vivos. Recentemente, o IBGE concluiu um levantamento sobre o consumo
desses gases no país (clorofluocarbonos, tetracloretro de carbono,
metil-clorofórmio e halônios):
Em
toneladas de PDO (Potencial de Destruição do Ozônio)
1 PDO = 1t de CFC |
| Consumo
por setor |
1997 |
1999 |
2001 |
2003 |
| Refrigeração |
5.816 |
8.264 |
3.729 |
3.595 |
| Fabricação
de espuma |
4.137 |
3.655 |
3.154 |
353 |
| Agente em
processos químicos |
958 |
662 |
163 |
68 |
| Aerossóis |
234 |
130 |
92 |
74 |
| Solventes |
22 |
33 |
12 |
12 |
| Extintores
de incêndio |
107 |
107 |
5 |
5 |
| Brometo de
Metila |
757 |
420 |
258 |
249 |
Portanto,
com uma redução de 12 Mt para 4,3 Mt (menos 64%), fica
evidente que o Brasil realizou grandes e efetivos esforços
para cumprimento das metas estabelecidas.
Em relação
ao Brometo de Metila, um gás biocida usado na agricultura e,
em verdade, com pouquíssima influência na celeuma do
ozônio, o governo cortou na carne em 2002 o uso do produto.
De imediato foi cancelado o uso para grãos armazenados, exceto
em casos especiais com anuência do Ministério da Agricultura.
Para fumo, até fins de 2004. Para sementeiras e como formicida,
até final de 2006. Até esse momento a redução
foi de 67%. Só será permitido para usos de absoluta
necessidade em exportação e importação,
até 2015.
Saliente-se que
nos Estados Unidos o produto continua sendo usado em canteiros de
diversas culturas e em silos graneleiros, visto o EPA não ter
conseguido substituto adequado do ponto de vista de eficácia
e economia. Lá, o consumo está por volta de 9.000 toneladas/ano.
O Monobromometano
é tão eficaz como praguicida que em alguns casos só
ele é aceito. Por exemplo, a Colômbia só importa
algodão em pluma do Brasil se os fardos da arbustiva malvaceae
passarem por uma severa varredura com esse gás.
Em razão
das restrições legais brasileiras, a engenhosidade teve
de entrar em cena. E surgiu o MULTIVÁCUO, um dispositivo para
fazer o trabalho fitossanitário e depois recuperar o CH3Br.
Passe de mágica?
Não, apenas emprego da química e da física.
Trata-se de uma
câmara de fumigação a vácuo, construída
por sólida e bem vedada estrutura de aço carbono com
81 m3 e suportando pressão de até 2 atm. Uma bomba promove
a retirada do ar e um sistema injeta o agente fumigante,usando aparelhos
calibradores e válvulas dosadoras. Por fim, um sistema recupera
o gás biocida que não foi absorvido por bio-materiais
na operação.

Para realizar
seu serviço em 80 m3 o Brometo de Metila precisa apenas de
6,5 gramas, que se volatilizam rapidamente na câmara e correspondem
a uma concentração de 20 ppm do gás. Com essas
pequenas quantidades, o sistema desenvolvido não consegue informar
exatamente quanto foi recuperado, estima-se em 70%. Por outro lado,
como nada escapa da câmara, é possível afirmar
que todo o gás não consumido na operação
foi retido na forma líquida em baixas temperaturas.
Nossos agradecimentos
à MULTIVÁCUO – Tecnologia em Sistemas de Vácuo
(19) 3278-4100 e à ESQUA – Estação Quarentenária
de Tratamento e Pesquisa (13) 3296-3378.