Nº 077

Janeiro/2005
BROMETO SEM POLUIÇÃO

O Brasil como signatário do Protocolo de Montreal deveria tomar atitudes para diminuir os gases artificiais que promovem parte da redução da camada de ozônio e sua relação com câncer de pele, redução do fitoplâncton e outras conseqüências à saúde dos seres vivos. Recentemente, o IBGE concluiu um levantamento sobre o consumo desses gases no país (clorofluocarbonos, tetracloretro de carbono, metil-clorofórmio e halônios):

Em toneladas de PDO (Potencial de Destruição do Ozônio)
1 PDO = 1t de CFC
Consumo por setor
1997
1999
2001
2003
Refrigeração 5.816 8.264 3.729 3.595
Fabricação de espuma 4.137 3.655 3.154 353
Agente em processos químicos 958 662 163 68
Aerossóis 234 130 92 74
Solventes 22 33 12 12
Extintores de incêndio 107 107 5 5
Brometo de Metila 757 420 258 249

Portanto, com uma redução de 12 Mt para 4,3 Mt (menos 64%), fica evidente que o Brasil realizou grandes e efetivos esforços para cumprimento das metas estabelecidas.

Em relação ao Brometo de Metila, um gás biocida usado na agricultura e, em verdade, com pouquíssima influência na celeuma do ozônio, o governo cortou na carne em 2002 o uso do produto. De imediato foi cancelado o uso para grãos armazenados, exceto em casos especiais com anuência do Ministério da Agricultura. Para fumo, até fins de 2004. Para sementeiras e como formicida, até final de 2006. Até esse momento a redução foi de 67%. Só será permitido para usos de absoluta necessidade em exportação e importação, até 2015.

Saliente-se que nos Estados Unidos o produto continua sendo usado em canteiros de diversas culturas e em silos graneleiros, visto o EPA não ter conseguido substituto adequado do ponto de vista de eficácia e economia. Lá, o consumo está por volta de 9.000 toneladas/ano.

O Monobromometano é tão eficaz como praguicida que em alguns casos só ele é aceito. Por exemplo, a Colômbia só importa algodão em pluma do Brasil se os fardos da arbustiva malvaceae passarem por uma severa varredura com esse gás.

Em razão das restrições legais brasileiras, a engenhosidade teve de entrar em cena. E surgiu o MULTIVÁCUO, um dispositivo para fazer o trabalho fitossanitário e depois recuperar o CH3Br.

Passe de mágica? Não, apenas emprego da química e da física.

Trata-se de uma câmara de fumigação a vácuo, construída por sólida e bem vedada estrutura de aço carbono com 81 m3 e suportando pressão de até 2 atm. Uma bomba promove a retirada do ar e um sistema injeta o agente fumigante,usando aparelhos calibradores e válvulas dosadoras. Por fim, um sistema recupera o gás biocida que não foi absorvido por bio-materiais na operação.

Para realizar seu serviço em 80 m3 o Brometo de Metila precisa apenas de 6,5 gramas, que se volatilizam rapidamente na câmara e correspondem a uma concentração de 20 ppm do gás. Com essas pequenas quantidades, o sistema desenvolvido não consegue informar exatamente quanto foi recuperado, estima-se em 70%. Por outro lado, como nada escapa da câmara, é possível afirmar que todo o gás não consumido na operação foi retido na forma líquida em baixas temperaturas.

Nossos agradecimentos à MULTIVÁCUO – Tecnologia em Sistemas de Vácuo (19) 3278-4100 e à ESQUA – Estação Quarentenária de Tratamento e Pesquisa (13) 3296-3378.

AENDA - Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos