Em
função da grave crise econômica que se abateu
sobre boa parte da agricultura brasileira, houve sensível retração
no faturamento geral das empresas. Estimativas apontam para 15% de
retração, mercê da queda real nos preços
ofertados e do menor consumo. Contribuíram, ainda, para essa
pressão sobre os preços: (a) seca no Rio Grande do Sul
e (b) queda relativa do dólar frente ao real, uma vez que o
setor é mais importador e atrelado fortemente à moeda
americana e suas flutuações internacionais; em out.2004
o dólar valia R$ 2,86 e em out.2005 apenas R$ 2,27, uma desvalorização
de 20,6% quando comparado ao real.
ESTUDO
DA VARIAÇÃO EM REAL ENTRE OUTUBRO.2004 e OUTUBRO.2005
(*)
|
Grupos |
Variação
média
Preços correntes
R$ out.04 a out.05 |
N°
de produtos abaixo e acima da variação IGP-DI |
|
Abaixo |
Acima |
| HERBICIDAS |
-
13,9 % |
42 |
01 |
| ACARICIDAS |
-
20,0 % |
10 |
00 |
| FUNGICIDAS |
-11,1
% |
26 |
02 |
| INSETICIDAS |
-
09,2 % |
34 |
05 |
| REGULADORES |
-
08,6 % |
03 |
00 |
| TOTAL
DE PRODUTOS |
115 |
08 |
| Variação
do IGP-DI |
+
2,18 % |
|
|
(*) Tabela
baseada nas pesquisas de preços do convênio IEA/FUNDEPAG/AENDA
– Estado de São Paulo
Se no ano de 2004,
no período de out.2003 a out.2004, a pesquisa indicou um aumento
médio nos preços dos Defensivos Agrícolas da
ordem de 3,2%, bem abaixo do Índice Geral dos Preços,
que foi de 11,8%; no ano de 2005 foi possível observar um recuo
nos preços bem mais acentuado.
O quadro acima
não deixa qualquer dúvida. Enquanto o IGP-DI foi um
dos mais baixos da recente história econômica brasileira,
apenas 2,18%, a variação geral em média aritmética
dos Defensivos se expressou de forma negativa, menos 12,5%, como há
muito tempo não ocorria. Foi uma queda espetacular de quase
15% nos preços médios desse insumo.
Dos 123 produtos
considerados, 115 apresentaram uma evolução dos preços
abaixo do IGP e, somente 8 produtos variaram acima daquele índice.
Ou seja, 94% dos produtos tiveram real redução em seus
preços.
O grupo dos HERBICIDAS
apresentou uma variação negativa em média 16,0%
pontos percentuais em comparação com a variação
do IGP-DI do mesmo período. Os campeões em queda de
preço foram: METSULFURON METHYL (-30,6%), IMAZETHAPIR (-29,1%),
CLORIMURON ETHYL (-28,7%), LACTOFEN (-26,5%), NICOSULFURON (-25,4%),
HEXAZINONA+DIURON (-24,4%), PENDIMENTHALIN (-23,1%), AMETRINA (-22,8%),
CLOMAZONE + AMETRINA (-22,33), MSMA (-21,2%) e SETHOXYDIM (-20,4%).
Os ACARICIDAS,
em média, perderam 22,2% dos seus preços ao longo do
ano. Destaque para o ABAMECTIN (-40,8%), empurrado pelo aumento do
número de marcas concorrentes.
OS FUNGICIDAS também não fugiram à regra, com
uma diminuição média de 11,1%, portanto 13,3
pontos distantes do IGP-DI. Destaque para: EPOXICONAZOLE+PYRACLOSTROBIN
(-24,8%), TIOFANATO METÍLICO (-20,88) e MANCOZEB (20,6%)
Os INSETICIDAS
caíram em média 11,3%. Sobressaíram: PERMETHRIN
(-27,2%), CIPERMETRINA (-26,2%), DIFLUBENZURON (-25,4%), NOVALURON
(-23,6%), IMIDACLOPRID (-20,2%).
Os REGULADORES
DE CRESCIMENTO, seguiram o contexto geral, com queda de 10,8 pontos
percentuais.
Essa queda nos preços dos Defensivos é confirmada também
quando se examina a variação das cestas de produtos
usados por cultura, utilizadas para formação do índice
de Relação de Troca.
|
Cultura |
Variação
% da cesta de defensivos |
Variação
% do valor da cultura |
Índice
Relação de troca - out.2005 (*) |
| Algodão |
-
9,10 |
-
31,2 |
99 |
| Café
(benef.) |
-
6,90 |
+
19,2 |
48 |
| Cana-de-açúcar |
-
9,00 |
+
05,9 |
104 |
| Feijão
das águas |
-
10,8 |
+
03,5 |
92 |
| Laranja |
-16,6 |
+
13,4 |
121 |
| Milho |
-
6,30 |
+
0,20 |
85 |
| Soja (pl.
direto) |
-
11,3 |
-
19,9 |
120 |
(*) base
do índice = out.2001 = 100