Nº 088

Dezembro/2005
PREÇOS EM QUEDA

Em função da grave crise econômica que se abateu sobre boa parte da agricultura brasileira, houve sensível retração no faturamento geral das empresas. Estimativas apontam para 15% de retração, mercê da queda real nos preços ofertados e do menor consumo. Contribuíram, ainda, para essa pressão sobre os preços: (a) seca no Rio Grande do Sul e (b) queda relativa do dólar frente ao real, uma vez que o setor é mais importador e atrelado fortemente à moeda americana e suas flutuações internacionais; em out.2004 o dólar valia R$ 2,86 e em out.2005 apenas R$ 2,27, uma desvalorização de 20,6% quando comparado ao real.

ESTUDO DA VARIAÇÃO EM REAL ENTRE OUTUBRO.2004 e OUTUBRO.2005 (*)

Grupos
Variação média
Preços correntes
R$ out.04 a out.05
N° de produtos abaixo e acima da variação IGP-DI
Abaixo
Acima
HERBICIDAS
- 13,9 %
42
01
ACARICIDAS
- 20,0 %
10
00
FUNGICIDAS
-11,1 %
26
02
INSETICIDAS
- 09,2 %
34
05
REGULADORES
- 08,6 %
03
00
TOTAL DE PRODUTOS
115
08
Variação do IGP-DI
+ 2,18 %

(*) Tabela baseada nas pesquisas de preços do convênio IEA/FUNDEPAG/AENDA – Estado de São Paulo

Se no ano de 2004, no período de out.2003 a out.2004, a pesquisa indicou um aumento médio nos preços dos Defensivos Agrícolas da ordem de 3,2%, bem abaixo do Índice Geral dos Preços, que foi de 11,8%; no ano de 2005 foi possível observar um recuo nos preços bem mais acentuado.

O quadro acima não deixa qualquer dúvida. Enquanto o IGP-DI foi um dos mais baixos da recente história econômica brasileira, apenas 2,18%, a variação geral em média aritmética dos Defensivos se expressou de forma negativa, menos 12,5%, como há muito tempo não ocorria. Foi uma queda espetacular de quase 15% nos preços médios desse insumo.

Dos 123 produtos considerados, 115 apresentaram uma evolução dos preços abaixo do IGP e, somente 8 produtos variaram acima daquele índice. Ou seja, 94% dos produtos tiveram real redução em seus preços.

O grupo dos HERBICIDAS apresentou uma variação negativa em média 16,0% pontos percentuais em comparação com a variação do IGP-DI do mesmo período. Os campeões em queda de preço foram: METSULFURON METHYL (-30,6%), IMAZETHAPIR (-29,1%), CLORIMURON ETHYL (-28,7%), LACTOFEN (-26,5%), NICOSULFURON (-25,4%), HEXAZINONA+DIURON (-24,4%), PENDIMENTHALIN (-23,1%), AMETRINA (-22,8%), CLOMAZONE + AMETRINA (-22,33), MSMA (-21,2%) e SETHOXYDIM (-20,4%).

Os ACARICIDAS, em média, perderam 22,2% dos seus preços ao longo do ano. Destaque para o ABAMECTIN (-40,8%), empurrado pelo aumento do número de marcas concorrentes.

OS FUNGICIDAS também não fugiram à regra, com uma diminuição média de 11,1%, portanto 13,3 pontos distantes do IGP-DI. Destaque para: EPOXICONAZOLE+PYRACLOSTROBIN (-24,8%), TIOFANATO METÍLICO (-20,88) e MANCOZEB (20,6%)

Os INSETICIDAS caíram em média 11,3%. Sobressaíram: PERMETHRIN (-27,2%), CIPERMETRINA (-26,2%), DIFLUBENZURON (-25,4%), NOVALURON (-23,6%), IMIDACLOPRID (-20,2%).

Os REGULADORES DE CRESCIMENTO, seguiram o contexto geral, com queda de 10,8 pontos percentuais.

Essa queda nos preços dos Defensivos é confirmada também quando se examina a variação das cestas de produtos usados por cultura, utilizadas para formação do índice de Relação de Troca.

Cultura
Variação % da cesta de defensivos
Variação % do valor da cultura
Índice Relação de troca - out.2005 (*)
Algodão
- 9,10
- 31,2
99
Café (benef.)
- 6,90
+ 19,2
48
Cana-de-açúcar
- 9,00
+ 05,9
104
Feijão das águas
- 10,8
+ 03,5
92
Laranja
-16,6
+ 13,4
121
Milho
- 6,30
+ 0,20
85
Soja (pl. direto)
- 11,3
- 19,9
120

(*) base do índice = out.2001 = 100

AENDA - Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos