Em minucioso levantamento o Eng. Agr. Luiz Carlos
S. Ferreira Lima constata uma considerável redução
de dose nos lançamentos dos defensivos agrícolas ao
longo dos anos. Fonte: ANDEF, 2004
| Dose
média em ingrediente ativo - gramas/hectare |
| |
Década
60 |
Década
70 |
Década
80 |
Década
90 |
| Herbicidas |
2.097,00
|
1.315,00
|
371,00
|
242,00
|
| Inseticidas |
1.097,50
|
300,50
|
71,55
|
69,75
|
| Fungicidas |
1.393,50
|
533,50
|
414,50
|
185,45
|
Alguns dos produtos com reduções
mais expressivas mencionados:
Herbicidas: Chlorimuron ethyl (15 a 20 g/ha), Metsulfuron
methyl (2 a 4 g/ha), Nicosulfuron (50 a 60 g/ha) e Imazethapyr (100
g/ha).
Inseticidas: Etofenprox (0,3 a 6 g/ha), Tebufenozide
(3 g/ha), Acetamiprid (20 a 75 g/ha), Hexathiazox (30 g/ha), Cyfluthrin
(6 a 40 g/ha), Deltamethrin (2,5 a 10 g/ha), Teflubenzuron (7 a 37
g/ha)
Fungicidas: Fenarimol (10 a 72 g/ha), Bromuconazole
(15 a 180 g/ha), Propiconazole (62 a 187 g/ha), Azoxystrobin (80 a
160 g/ha).
Por outro lado, quando examinamos os dados de 2004
cedidos por pesquisadores do mercado, observamos uma realidade brasileira
bem distinta desse quadro evolutivo.
O consumo brasileiro de todos os defensivos agrícolas,
expressos em quantidade de ingrediente ativo, esteve em torno de 210
milhões de quilos naquele ano. Indo mais ao detalhe, construímos
o quadro abaixo com números aproximativos dos produtos mais
utilizados acima de 1 milhão de quilos
|
Herbicidas |
milhões
kg |
Inseticidas |
milhões
kg |
Fungicidas |
milhões
kg |
| Glifosato |
77 |
Óleos
min/veg |
20 |
Mancozeb |
5 |
| 2,4-D |
13 |
Metamidofós |
12 |
Tebuconazole |
3 |
| Atrazina |
7 |
Enxofre |
9 |
Cúpricos |
3 |
| Diuron |
4 |
Endosulfan |
7 |
Carbendazim |
2 |
| Trifluralina |
4 |
Clorpirifós |
3 |
Tiofanato |
1 |
| MSMA |
3 |
Parathion |
3 |
|
|
| Ametrina |
3 |
Metomil |
2 |
|
|
| TOTAL |
111 |
|
56 |
|
14 |
Como se observa, esses campeões de uso no Brasil,
perfazem 86% de todo o volume consumido em ingrediente
ativo. Nenhum deles se enquadra na média apresentada para os
lançamentos da década de 90. Neste quesito, os herbicidas
e inseticidas usados no país estão mais para a década
de 60, enquanto os fungicidas têm o perfil da década
de 70.
Na verdade, talvez isso espelhe mais o fato de sermos
um país em termos econômicos bem mais pobre do que desejamos.
Aqui os produtos tendem a permanecer por mais tempo no mercado, pois
à medida que eles ficam mais “velhos” ficam também
mais baratos e a maioria dos agricultores podem usar essa ferramenta
preservadora das colheitas. Se substituirmos mais aceleradamente os
ingredientes ativos no mercado, encurtando a vida dos mesmos, teremos
em contrapartida um aumento de custos agrícolas por conta desse
insumo. Esse aumento de custo é relativamente bem absorvido
nos países mais ricos, em razão das economias claramente
mais poderosas e que permitem sistemas de compensação
colocados à disposição de seus agricultores.
Mas atenção, agora que crescemos em
exportações de produtos agrícolas, e uma bandeira
de mais crescimento está desfraldada, passaremos a enfrentar
movimentos de pressão dos países ricos para modernizarmos
nossa grade de uso dos ingredientes ativos, com o único propósito
de aumentar o custo de nossas lavouras e diminuir nossa competitividade
em escala global. É uma das chamadas barreiras técnicas
em voga na guerra mercadológica global. Sozinhos, nossa possibilidade
será quase nenhuma de sucesso. Esse tipo de barreira é
de uma concepção maquiavélica e expõe
os povos a conflitos em torno dos alimentos, como se antes os dados
científicos de limites aceitáveis dos resíduos
fossem equivocados, e repentinamente se apresentam mais rigorosos
coroando a si próprios com uma auréola de santa correção.
Sua força começa sutil em fóruns técnicos,
incorpora a manipulação e amplificação
forçada de argumentos de saúde pública, até
transformar-se numa daquelas verdades construídas e adotadas
pelos meios de comunicação, e a partir daí avança
vigorosamente, sendo de difícil reversão.
Os países emergentes e exportadores de bens
agrícolas, como Índia, China, Argentina e Brasil devem
formar uma frente de trabalho nos fóruns internacionais para
contrabalançar essa nova ameaça, além de manter
um projeto permanente de esclarecimento na mídia internacional.
Nada contra doses
menores. Tudo a favor de produtos em boa concorrência.