Depende!
No Brasil, onde se vende “juro” como se fosse mercadoria,
as pragas entram no bolso dos lavradores e se fartam. No Paraguai,
de regime econômico mais parecido com o resto do mundo, as pragas
ficam restritas às sementes, raízes, caule, seiva, galhos,
folhas e frutos.
Comparem os custos nos dois países, em dólar, no tratamento
fitossanitário da soja safra 2005-2006. Considerou-se uma cesta
de produtos com uma única aplicação de cada.
Os preços refletem prazos iguais (prazos de safra).

Imagine
essa diferença (117,10 – 49,91 = US$ 67,19 / ha) em todos
os 22 milhões de hectares plantados com soja. Confira aí,
US$ 1.478.180.000,oo. É isso mesmo, 1 bilhão e meio
de dólares. Claro que nem toda a soja é tratada assim,
mas dá para ter uma idéia do tamanho do prejuízo
que todo ano a agricultura brasileira sofre.
Vamos comparar
mais os dois países para ver se descobrimos alguma explicação
para diferença tão grande.
|
FATORES |
BRASIL |
PARAGUAI |
Tamanho do
mercado
De pesticidas
|
US$ 4,10
bilhões |
US$ 0,45
bilhões |
| Número
de empresas ofertantes em 90% do mercado |
12 empresas |
20 empresas |
| Oferta por
número de ingrediente ativo – i.a. e respectivo percentual |
1 empresa
= 317 i.a. (74 %)
2 empresas = 57 i.a. (13%)
3 ou mais empresas = 54 i.a. (13%)
|
1 empresa
= 12 i.a. (9%)
2 a 5 empresas = 37 i.a. (28%)
5 a 10 empresas = 47 i.a. (36%)
10 ou mais empresas = 36 i.a. 27(%)
|
Mas como? O mercado
brasileiro é muito maior, por quê só temos 12
empresas dominando 90% do mercado? Eis a primeira pista...poucas empresas
com real capacidade de oferta (lembrem-se dos juros brasileiros...não
são para qualquer empresa). Saibam, ainda, que no Paraguai,
70% (dos 90%) do mercado são atendidos por empresas nativas;
no Brasil, dos 90% do mercado só 3,5% são atendidos
por empresas genuinamente daqui.
Quer dizer que
no Paraguai existe concorrência real em 88% dos ingredientes
ativos e no Brasil só em 13% dos ingredientes ativos ofertados?
É a segunda pista...poucas empresas com real capacidade de
oferta (lembrem-se do nosso sistema de registro de produto...não
é para qualquer empresa).
É simples
assim? A chave é o número de empresas? Bom, na verdade
não sou economista, só um curioso. Um especialista poderia
falar do câmbio (ops!, mas aí a conta do prejuízo
brasileiro aumentaria); outro especialista poderia dizer que o mercado
paraguaio não tem muitas travas contra o contrabando e que
os produtos chineses invadem suas lavouras, muito baratos por serem
mal fabricados e cheios de impurezas (pera aí! como então
os europeus e japoneses continuam a comprar a soja paraguaia; e, lá
como cá as multinacionais de exportação de grãos
não são as mesmas ?).
A essa altura
preciso esclarecer que a pesquisa de preços foi revertida para
dólar, a fim de permitir uma comparação um pouco
mais duradoura, em razão da variação cambial
ao longo dos meses vindouros. Também, devo informar, que os
preços do Paraguai foram coletados com base na oferta da maior
empresa de defensivos daquele país, a TECNOMYL S.R.L., justamente
para evitar comentários maldosos de que poderiam ser preços
advindos de produtos contrabandeados. Asseguramos também que
a incidência de impostos estivesse inclusa (por sinal, no Brasil
é cerca de 12% e no Paraguai um pouco mais). A TECNOMYL é
uma empresa que detém boa fatia daquele mercado, possui uma
fábrica moderna que processa com excelência formulações
tipo suspensão, concentrado emulsionável, pó
molhável e solúvel, granulada e outras; com início
de sínteses de produtos em grau técnico; com rigoroso
controle de qualidade; com tratamento dos efluentes; com incinerador
para rejeitos e embalagens devolvidas contaminadas; e, é a
maior importadora do setor privado do país.