Nº 092

Maio/2006
QUANTO CUSTAM AS PRAGAS?

Depende! No Brasil, onde se vende “juro” como se fosse mercadoria, as pragas entram no bolso dos lavradores e se fartam. No Paraguai, de regime econômico mais parecido com o resto do mundo, as pragas ficam restritas às sementes, raízes, caule, seiva, galhos, folhas e frutos.
Comparem os custos nos dois países, em dólar, no tratamento fitossanitário da soja safra 2005-2006. Considerou-se uma cesta de produtos com uma única aplicação de cada. Os preços refletem prazos iguais (prazos de safra).

Imagine essa diferença (117,10 – 49,91 = US$ 67,19 / ha) em todos os 22 milhões de hectares plantados com soja. Confira aí, US$ 1.478.180.000,oo. É isso mesmo, 1 bilhão e meio de dólares. Claro que nem toda a soja é tratada assim, mas dá para ter uma idéia do tamanho do prejuízo que todo ano a agricultura brasileira sofre.

Vamos comparar mais os dois países para ver se descobrimos alguma explicação para diferença tão grande.

FATORES
BRASIL
PARAGUAI
Tamanho do mercado
De pesticidas
US$ 4,10 bilhões US$ 0,45 bilhões
Número de empresas ofertantes em 90% do mercado 12 empresas 20 empresas
Oferta por número de ingrediente ativo – i.a. e respectivo percentual 1 empresa = 317 i.a. (74 %)
2 empresas = 57 i.a. (13%)
3 ou mais empresas = 54 i.a. (13%)
1 empresa = 12 i.a. (9%)
2 a 5 empresas = 37 i.a. (28%)
5 a 10 empresas = 47 i.a. (36%)
10 ou mais empresas = 36 i.a. 27(%)

Mas como? O mercado brasileiro é muito maior, por quê só temos 12 empresas dominando 90% do mercado? Eis a primeira pista...poucas empresas com real capacidade de oferta (lembrem-se dos juros brasileiros...não são para qualquer empresa). Saibam, ainda, que no Paraguai, 70% (dos 90%) do mercado são atendidos por empresas nativas; no Brasil, dos 90% do mercado só 3,5% são atendidos por empresas genuinamente daqui.

Quer dizer que no Paraguai existe concorrência real em 88% dos ingredientes ativos e no Brasil só em 13% dos ingredientes ativos ofertados? É a segunda pista...poucas empresas com real capacidade de oferta (lembrem-se do nosso sistema de registro de produto...não é para qualquer empresa).

É simples assim? A chave é o número de empresas? Bom, na verdade não sou economista, só um curioso. Um especialista poderia falar do câmbio (ops!, mas aí a conta do prejuízo brasileiro aumentaria); outro especialista poderia dizer que o mercado paraguaio não tem muitas travas contra o contrabando e que os produtos chineses invadem suas lavouras, muito baratos por serem mal fabricados e cheios de impurezas (pera aí! como então os europeus e japoneses continuam a comprar a soja paraguaia; e, lá como cá as multinacionais de exportação de grãos não são as mesmas ?).

A essa altura preciso esclarecer que a pesquisa de preços foi revertida para dólar, a fim de permitir uma comparação um pouco mais duradoura, em razão da variação cambial ao longo dos meses vindouros. Também, devo informar, que os preços do Paraguai foram coletados com base na oferta da maior empresa de defensivos daquele país, a TECNOMYL S.R.L., justamente para evitar comentários maldosos de que poderiam ser preços advindos de produtos contrabandeados. Asseguramos também que a incidência de impostos estivesse inclusa (por sinal, no Brasil é cerca de 12% e no Paraguai um pouco mais). A TECNOMYL é uma empresa que detém boa fatia daquele mercado, possui uma fábrica moderna que processa com excelência formulações tipo suspensão, concentrado emulsionável, pó molhável e solúvel, granulada e outras; com início de sínteses de produtos em grau técnico; com rigoroso controle de qualidade; com tratamento dos efluentes; com incinerador para rejeitos e embalagens devolvidas contaminadas; e, é a maior importadora do setor privado do país.

AENDA - Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos