Nº 098

Novembro/2006
Os mais novos Genéricos

Dentro do conceito que defensivos genéricos são aqueles produtos em domínio público (patente inexistente ou expirada) e ofertados por diversas empresas, detectamos 54 ingredientes ativos na atualidade brasileira que preenchem essa condição.
A maioria dos 54 ingredientes ativos incluídos na condição de genéricos é de idade avançada, mas que ainda emprestam bons serviços à defesa fitossanitária. Contudo, selecionamos uns poucos que são mais jovens, de geração mais contemporânea. Como o espaço não cabe, vamos mostrar desta feita 3 deles e quanto contribuíram para a queda dos preços e, conseqüentemente, o acesso a mais agricultores.
Os preços estão em REAL e foram todos expressados no valor da moeda do último preço apresentado, para que a comparação seja linear e não contaminada pela variação do REAL ao longo dos anos.

ABAMECTINA

Acaricida que apareceu no país no finzinho dos anos 80 é indicado para mais de 20 culturas e muito usado em Citros.


Preço em Reais a 1 litro, do produto Vertimec 18 CE (Fonte: DERAL/PR e IEA/SP)

O produto original foi o Vertimec, da MERCK (hoje SYNGENTA), que reinou sozinho até 2000, obviamente enfrentando concorrência de outros ingredientes ativos e fatores conjunturais da economia ou das próprias lavouras, como se observa pela “barriga” vista no gráfico de 1995 a 1999. Aí chegaram os genéricos. Primeiro a Abamectina (NORTOX) e o Abamex (BERNARDO QUÍMICA). Logo depois vieram Kraft (CHEMINOVA) e o Grimectin  (GRIFFIN, e hoje da ROTAM). Mais recentemente se juntaram o Potenza (SINON) e o Abamectin (PRENTISS).
No espaço de tempo investigado o produto perdeu preço da ordem de 73%, grande parte creditada aos genéricos surgidos. O soluço para cima observado em 1999 foi devido a uma forte desvalorização do REAL.

IMAZAQUIM

Herbicida para ervas de folhas largas, e usado em pré-emergência na cultura da Soja, lançado pela CYANAMID (hoje BASF) com a marca Scepter. O produto chegou ao mercado em 1986 e causou furor. A partir de 1995, a BASF sentindo que versões genéricas estavam sendo registradas, lançaram misturas para alargar o espectro de controle, como o Squadron (com Pendimetalina) e o Tri-scepter (com Trifluralina).
Por volta de 1997 surgiu o genérico Topgan, da HERBITÉCNICA (hoje MILENIA). Logo a seguir a BAYER lançou misturas com Metribuzim (Duplex e Proscept). No início do século 21 chega o genérico Imazaquim Ultra (NORTOX) e a soja transgênica da MONSANTO. Essa última, um inimigo mais poderoso ainda, pois permitiu maior uso do maior dos genéricos – o herbicida Glifosato. A vida ficou dura para o Imazaquim, mesmo assim surgiu em 2005 o Soyaquim (AGRIPEC).

Em conseqüência, entre 1988 e 2005 o preço do produto caiu 71%.


Preço em Reais referente a 5 litros do produto Scepter (Fonte: DERAL/PR e IEA/SP)

TEBUCONAZOLE

Fungicida que apareceu aqui em meados da década de 90, lançado pela BAYER sob a marca Folicur. O primeiro genérico, Orius (MILENIA), surgiu em 2000.
O produto tomou novo fôlego com o surgimento da ferrugem asiática da soja, mas logo recebeu mais concorrência, como em 2004 o Rival (AGRIPEC) e este ano o Tebucunazole (NORTOX), além da crise de queda de renda dos sojicultores nessas últimas duas safras. Como resultado dessas pressões o preço do produto sofreu uma queda de 35% entre 1993 e início de 2006. A queda não foi maior graças à ferrugem da soja, que deu uma força ao produto. Existem mais Tebuconazoles genéricos na fila, aguardando registro. O Folicur conseguiu afugentar alguns candidatos a genéricos apresentando patentes de formulação. Notícias do campo informam que em vendas maiores o produto chega a R$ 40,00 por litro, fato que faria a curva declinar substancialmente.


Preço em Reais referente a 1 litro do produto Folicur 200 CE (fonte: DERAL/PR e IEA/SP)

AENDA - Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos