Dentro do conceito que defensivos genéricos
são aqueles produtos em domínio público (patente
inexistente ou expirada) e ofertados por diversas empresas, detectamos
54 ingredientes ativos na atualidade brasileira que preenchem essa
condição.
A maioria dos 54 ingredientes ativos incluídos na condição
de genéricos é de idade avançada, mas que ainda
emprestam bons serviços à defesa fitossanitária.
Contudo, selecionamos uns poucos que são mais jovens, de geração
mais contemporânea. Como o espaço não cabe, vamos
mostrar desta feita 3 deles e quanto contribuíram para a queda
dos preços e, conseqüentemente, o acesso a mais agricultores.
Os preços estão em REAL e foram todos expressados no
valor da moeda do último preço apresentado, para que
a comparação seja linear e não contaminada pela
variação do REAL ao longo dos anos.
ABAMECTINA
Acaricida que apareceu no país no finzinho
dos anos 80 é indicado para mais de 20 culturas e muito usado
em Citros.

Preço em Reais a 1 litro, do produto Vertimec 18 CE (Fonte:
DERAL/PR e IEA/SP)
O produto original foi o Vertimec, da MERCK (hoje
SYNGENTA), que reinou sozinho até 2000, obviamente enfrentando
concorrência de outros ingredientes ativos e fatores conjunturais
da economia ou das próprias lavouras, como se observa pela
“barriga” vista no gráfico de 1995 a 1999. Aí
chegaram os genéricos. Primeiro a Abamectina (NORTOX) e o Abamex
(BERNARDO QUÍMICA). Logo depois vieram Kraft (CHEMINOVA) e
o Grimectin (GRIFFIN, e hoje da ROTAM). Mais recentemente se
juntaram o Potenza (SINON) e o Abamectin (PRENTISS).
No espaço de tempo investigado o produto perdeu preço
da ordem de 73%, grande parte creditada aos genéricos surgidos.
O soluço para cima observado em 1999 foi devido a uma forte
desvalorização do REAL.
IMAZAQUIM
Herbicida para ervas de folhas largas,
e usado em pré-emergência na cultura da Soja, lançado
pela CYANAMID (hoje BASF) com a marca Scepter. O produto chegou ao
mercado em 1986 e causou furor. A partir de 1995, a BASF sentindo
que versões genéricas estavam sendo registradas, lançaram
misturas para alargar o espectro de controle, como o Squadron (com
Pendimetalina) e o Tri-scepter (com Trifluralina).
Por volta de 1997 surgiu o genérico Topgan, da HERBITÉCNICA
(hoje MILENIA). Logo a seguir a BAYER lançou misturas com Metribuzim
(Duplex e Proscept). No início do século 21 chega o
genérico Imazaquim Ultra (NORTOX) e a soja transgênica
da MONSANTO. Essa última, um inimigo mais poderoso ainda, pois
permitiu maior uso do maior dos genéricos – o herbicida
Glifosato. A vida ficou dura para o Imazaquim, mesmo assim surgiu
em 2005 o Soyaquim (AGRIPEC).
Em conseqüência, entre
1988 e 2005 o preço do produto caiu 71%.

Preço em Reais referente a 5 litros do produto Scepter (Fonte:
DERAL/PR e IEA/SP)
TEBUCONAZOLE
Fungicida que apareceu aqui em meados da década
de 90, lançado pela BAYER sob a marca Folicur. O primeiro genérico,
Orius (MILENIA), surgiu em 2000.
O produto tomou novo fôlego com o surgimento da ferrugem asiática
da soja, mas logo recebeu mais concorrência, como em 2004 o
Rival (AGRIPEC) e este ano o Tebucunazole (NORTOX), além da
crise de queda de renda dos sojicultores nessas últimas duas
safras. Como resultado dessas pressões o preço do produto
sofreu uma queda de 35% entre 1993 e início de 2006. A queda
não foi maior graças à ferrugem da soja, que
deu uma força ao produto. Existem mais Tebuconazoles genéricos
na fila, aguardando registro. O Folicur conseguiu afugentar alguns
candidatos a genéricos apresentando patentes de formulação.
Notícias do campo informam que em vendas maiores o produto
chega a R$ 40,00 por litro, fato que faria a curva declinar substancialmente.

Preço em Reais referente a 1 litro do produto Folicur 200 CE
(fonte: DERAL/PR e IEA/SP)