AGU prepara ação para derrubar liminar contra glifosato

A Advocacia-Geral da União (AGU) já prepara uma ação na Justiça para derrubar a liminar que suspende o uso do herbicida glifosato no Brasil,
disse ao Valor o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.
Na sexta-feira, a juíza substituta da 7ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura, concedeu tutela antecipada para que a União suspendesse
por 30 dias no país o registro de todos os agrotóxicos à base de glifosato (o mais utilizado pela agricultura brasileira, sobretudo nas lavouras de soja), abamectina e tiram até que a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conclua procedimentos de realivação toxicológica.
“Essa liminar foi uma decisão de primeira instância, mas estamos junto com a AGU trabalhando para derrubá-la”, afirmou Maggi. “Todo o sistema de plantio direto é baseado no
glifosato, será um retrocesso ambiental gigantesco [suspender o registro desse produto]”, acrescentou. A Amaggi, empresa controlada pela família do ministro, é grande produtora
e exportadora de soja.
Após a colheita da soja, o agricultor, em muitos Estados, faz a segunda safra de milho (safrinha) e, quando esse milho é colhido, o produtor forra o campo com braquiária ou
mesmo pastagem para proteger o solo até a semeadura da soja. O glifosato mata essa cobertura e possibilita o plantio direto da oleaginosa.
Sem a utilização do herbicida, o agricultor é obrigado a arrancar toda a cobertura do solo e fazer o preparo para o plantio.
Na limitar de sexta-feira, a juíza determinou também que a Anvisa concluísse o andamento dos procedimentos de realivação toxicológica até 31 de dezembro deste ano, sob pena de
pagamento de multa de R$ 10 mil ao dia.
Representantes do setor avaliam que, sem glifosato, a safra 2018/19 de soja está ameaçada. Na segunda-feira, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja do
Brasil (Aprosoja), Bartolomeu Braz, afirmou, durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado em São Paulo pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pela B3,
que não existe substituto ao herbicida.
O presidente da Abag, Caio Carvalho, chegou a afirmar que “sem glifosato não há mais plantio direto”.
“Esse produto está no mercado há muitos anos. Essa questão ambiental está sendo defendida por pessoas apaixonadas que não entendem de agricultura”, disse Luiz Lourenço,
diretor da Abag. “Precisamos iniciar o plantio em 30 dias. Então, não podemos esperar”, completou.
08/08/2018 AGU prepara ação para derrubar liminar contra glifosato
https://www.valor.com.br/imprimir/noticia/5718911/agro/5718911/agu-prepara-acao-para-derrubar-liminar-contra-glifosato 2/2
Em nota, a Monsanto, gigante de agroquímicos que desenvolveu a semente de soja com resistência ao glifosato, divulgou nota defendendo o uso do produto. “Como todos os
produtos herbicidas, o glifosato é revisado rotineiramente pelas autoridades regulatórias para garantir que ele possa ser usado com segurança”, apontou o comunicado.
Ainda de acordo com a Monsanto, avaliações de quatro décadas — incluindo uma da própria Anvisa — mostram que o herbicida pode ser usado com segurança.
“Mais de 800 estudos e análises científicas concluíram que o glifosato é seguro para uso. A Monsanto respeita os rigorosos processos científicos atualmente utilizados pela Anvisa e
outras autoridades regulatórias para garantir o uso seguro do glifosato e outros produtos de proteção à lavoura”, informou a companhia.

Fonte: Valor