A indústria
nacional de insumos agrícolas entrou em um período de
instabilidade a partir da "moderna abertura dos portos"
do neoliberalismo de Collor de Mello, em 1990, todavia, realizada
de forma inconseqüente sem um estudo de seletividade. Aos poucos
o impacto sobre esse setor industrial instalado nesse país
continental foi sendo sentido na produção interna.
Em um primeiro
momento a indústria sentiu o gosto de um desestímulo
em produzir aqui, visto que a "abertura" não veio
acompanhada de medidas compensatórias. A área de fertilizantes
simplesmente estancou seus investimentos em explorar novas minerações
de fósforo e potássio e a setor de petróleo também
deixou para segundo plano a produção de nitrogenados.
No setor de defensivos, diversas sínteses nacionais protegidas
por altas taxas de importação foram imediatamente substituídas
por importações com preços mais compensadores.
Um segundo momento,
que ainda assistimos, é marcado pela aceleração
da economia de países emergentes, notadamente na Ásia,
fato que disparou o consumo de alimentos e dos insumos agrícolas,
mas com impacto diferenciado sobre os vários insumos aqui produzidos.
No caso dos fertilizantes,
- o trio Nitrogênio, Fósforo e Potássio, essencial
para o aumento da produção agrícola, passa por
alarmante aumento de preços internacionais e a dependência
brasileira agrava a situação para os custos da nossa
agricultura. O calcário, corretivo importante para o bom desempenho
dos fertilizantes, escapa dessa conjuntura porquanto é totalmente
produzido aqui.
Já os defensivos
agrícolas, que asseguram a sanidade das culturas, passam por
um fenômeno inverso, uma vez que Índia e especialmente
a China são grandes fabricantes dessas substâncias a
custos baixos. A indústria de defensivos brasileira sofreu
e vem sofrendo esse segundo impacto e as importações
passaram a dominar o cenário. Na verdade, a indústria
sofreu e os agricultores pouco aproveitaram dessa onda de defensivos
mais baratos, porquanto a oferta continuou concentrada em face de
um hermético sistema brasileiro de registro de pesticidas e
que só agora o governo começa a desmontar e oferecer
condições para pequenas e médias empresas realizarem
seus registros e aumentar a multiplicidade da oferta. Por outro lado,
a onda asiática já começa a dar sinais de mudança.
A China, pressionada pela comunidade ambiental e de direitos proprietários,
já faz ajustes na oferta e aumenta os preços. E, por
conta desses ajustes ambientais está encerrando a produção
de importantes organofosforados usados no Brasil. Por sorte, o principal
desses inseticidas fosforados, o Metamidofós, resistiu aos
impactos e continuou sendo produzido aqui embora perdendo espaço
mercadológico, e o agricultor tem seu suprimento assegurado,
caso contrário teria de utilizar produtos ainda sob patente
a custos bem maiores.
Quanto às
sementes melhoradas, importante insumo para o aumento da produtividade
agrícola, que não acusaram o primeiro impacto, visto
a produção ser quase totalmente local, até por
questões edafo-climáticas e logísticas, com o
advento da biotecnologia passam por um momento dramático: primeiro
foi a pirataria induzida pelas disputas entre as correntes contra
e a favor de sementes transgênicas e, segundo, foi a concentração
da oferta depois de fusões e aquisições tendo
como protagonistas as grandes empresas de defensivos e também
de biotecnologia. Tudo isso contaminou o mercado das sementes melhoradas,
mas não transgênicas. O fato é que a produção
nacional sofreu abalos e acumula prejuízos de monta.
Esse cenário
acima parece surrealista em um país com uma poderosa agricultura,
alicerce de seu equilíbrio na balança comercial. No
entanto não se vê ainda um esboço sequer de planejamento
que incentive e assegure produções estratégicas
desses insumos fundamentais. Salvo a melhoria no sistema de registro
dos defensivos, por sinal só implementada por uma forte movimentação
da indústria de genéricos e das lideranças agrícolas,
o governo não parece sensível a analisar a questão,
como à espera que as forças de mercado façam
o trabalho.
Acontece que as
forças de mercado por vezes fogem de um convívio mais
civilizado e passam a esmagar os pequenos ou a prejudicar áreas
de interesse estratégico da nação. Quem tem o poder
e a missão de regular tais distorções? A resposta
obvia é: o GOVERNO, ele é o guardião dos interesses
nacionais. Por isso, a sociedade está cobrando um plano para
administrar essa conjuntura atual dos insumos agrícola