S/N
Junho/2008
SAKURA CARREGADA

A cerejeira florida encanta as festas do centésimo aniversário da emigração em escala de japoneses para o Brasil nesse ano de dois mil e oito.

Das formosas flores variados frutos foram surgindo por aqui aos borbotões, como novas plantas alimentícias e seus sabores diferentes, com a alcachofra sendo a mais lembrada, mas também pontuando a uva rubi, a alface americana, o gengibre, sem esquecer o grande impulso que deram ao algodão, à batata-doce e à pimenta-do-reino. Contudo, este espaço está reservado para conhecer um pouco do fruto fitossanitário legado pelo povo daquela nação.

É impositivo mencionar a enorme contribuição que os descendentes daquela primeira leva emprestaram e emprestam à academia brasileira no quesito da sanidade vegetal. Professores e pesquisadores pontuam em nossas escolas de agronomia e em nossas instituições de pesquisa. Não se deve cair na armadilha de citar uns e outros, tantos seriam os olvidados até a tinta interromper a relação, por falta.

competição por alimentos entre homens e pragas é bíblica. Infelizmente não é uma competição esportiva, é uma guerra, uma guerra pela sobrevivência. Nesse sentido a humanidade desenvolveu armas químicas para se proteger dos insetos, das ervas daninhas, das doenças e toda sorte de pragas.

Na segunda metade do século passado, logo após a era inicial dos organoclorados e parte da família organofosforada , o Japão foi o país que mais desenvolveu moléculas para somar ao arsenal mundial denominado de pesticida. Empresas como Hokko, Ihara, Ishihara Sangyo Kaisha-ISK, Kanesho, Kumiai, Kureha, Mitsubishi, Mitsui, Nihon Noyaku, Nippon Soda, Nissan, Otsuka, Sankei, Sankyo, SDS Biotech, Sumitomo, Takeda, Toyo Menka, Yamamoto e outras que o conhecimento desse articulista não alcançou apresentaram produtos que realmente minoraram as perdas das safras agrícolas e ajudaram a colocar mais alimento na mesa dos homens.

As moléculas desenvolvidas no Japão contam-se às dezenas ou mesmo centenas e só podemos, então, exemplificar algumas que ajudaram e ajudam o trabalho fitossanitário brasileiro:

* ALGODÃO
-- o inseticida Esfenvalerate, da Sumitomo, com sua forma isomérica mais ativa que a do Fenvalerate, atuante no controle de lagartas e do bicudo.
-- Flonicamide (ISK) e Acetamipride (Nippon Soda) são inseticidas bem aceitos pelas variedades de algodão mais produtivas, porém sensíveis a viroses, e as defendem do ataque de pulgões transmissores.
-- Gossyplure, feromônio originado na Shin Etsu, usado no monitoramento da lagarta rosada.
-- Piritiobac-sodium, da Kumiai, um herbicida pós-emergente para folhas largas, em mercado de poucas opções seletivas.

* ARROZ
-- O fungicida Kasugamycin, da Hokko, um dos primeiros novos inventos japoneses introduzidos no Brasil, de grande importância contra a bruzone em arroz irrigado; juntamente com o IBP (Iprobenfos), da Kumiai.
-- Tiobencarb e Bispiribac-sodium, da Kumiai, são essencialmente graminicidas seletivos, sendo o primeiro pré-emergente e o segundo pós-emergente.
-- Pyrazosulfuron, herbicida da Nissan, no controle das folhas largas, de introdução mais recente.
-- Benfuracarb (Otsuka), inseticida para a bicheira-da-raiz.

* CANA-DE-AÇÚCAR
-- Amicarbazone, herbicida pré e pós-emergente da Hokko, para trapoeraba e muitos capins.

* CITROS
-- Hexitiazox, da Nippon Soda, um acaricida para o ácaro-da-leprose que fez muito sucesso.
-- Milbemectin, da Sankyo, é um inseticida-acaricida contra minadores e ácaros.

* FRUTÍFERAS
-- Fluazinam, fungicida da ISK, muito usado em maçã, pêssego e morango.
-- Trifllumizol, fungicida da Nippon Soda, para oídios, sarnas, antracnoses e podridões.
-- Piridaben, da Nissan, acaricida de rápida ação e bom efeito residual.

* GRÃOS ARMAZENADOS E GAFANHOTOS
-- o inseticida Fenitrothion, da Sumitomo (também Bayer e Cyanamid), grande aliado no controle de gorgulhos e todas as espécies de gafanhotos migratórios.

* HORTALIÇAS
-- Thiophanate-methyl, fungicida da Nippon Soda, de largo espectro e muito usado contra doenças de hortaliças e frutíferas.
-- Buprofezin (Nihon Nohyato), um inseticida regulador de crescimento de insetos, entre eles a mosca-branca.
-- Procymidone, da Sumitomo, fungicida contra tipos de mofos, manchas e podridões.
-- Clorfluazuram, inseticida da ISK, para lagartas e efetivo contra a traça-do-tomate
-- Phenthoate, da Nissan, inseticida bem usado contra a traça-do-tomate
-- Cartap (Takeda), inseticida para minadores do tomate e da batata (e até do bicho mineiro no café).

* MILHO
-- Nicossulfuron, da ISK, o primeiro herbicida pós-emergente para folhas estreitas e largas, em mercado que só contava com as Triazinas.

* SOJA
-- Sethoxidim (Nisso) e Fluazifop-P-Butyl (ISK), graminicidas seletivos em pós-emergência.
-- Etofenprox, da Mitsui, inseticida contra lagarta e percevejo; e também em outras culturas.

É para homenagear tudo isso a alusão no título desse artigo sobre a boa safra da Eugenia involucrata, seja de que variedade for.

Já que o enfoque foi praguicida fique o leitor a par de uma curiosa coincidência: o óleo essencial da cerejeira é um bom antimicrobiano pela presença de sesquiterpenos cíclicos.

Eng. Agr. Tulio Teixeira de Oliveira- Diretor Executivo da AENDA