Os fiscais agropecuários
de todo o Brasil se reuniram no mês de julho na insular Vitória,
em evento conjunto com o Seminário Nacional de Agrotóxico.
Na pasta comemorativa distribuída aos participantes constava:
a programação, bloco de rascunho, caneta ecológica
(envoltório de papelão no lugar do plástico)
e folhetos diversos. Entre esses últimos um pequenino, como
que sem pretensões, com os resultados do PARA – Programa
de Analise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos,
no Estado do Espírito Santo. Resultados consolidados dos monitoramentos
de 2003 a 2008. Durante o seminário outros dados foram bem
ilustrados e dissecados pela Engenheira de Alimentos Eliany A. Oliveira
D’Avila, do IDAF – Instituto de Defesa Agropecuária
e Florestal. Vejam a Tabela com algumas nossas adaptações.
RESÍDUOS
DE AGROTÓXICOS NO ESPÍRITO SANTO – 2003
a 2008 |
Culturas |
Nº
de Amostras |
Quantidade
ing. ativo insatisfatório |
Geral |
Satisfatório |
Insatisfatório |
NA
(ia) |
>
LMR (ia) |
| Abacaxi |
06 |
05
(83,3%) |
01
(16,7%) |
01 |
-- |
| Alface |
60 |
47
(78,3%) |
13
(21,7%) |
13 |
-- |
| Arroz |
09 |
09
(100,0%) |
---
(00,0%) |
-- |
-- |
| Banana |
62 |
62
(100,0%) |
---
(00,0%) |
-- |
-- |
| Batata |
76 |
74
(97,4%) |
02
(02,6%) |
02 |
-- |
| Cebola |
07 |
07
(100,0%) |
---
(00,0%) |
-- |
-- |
| Cenoura |
59 |
53
(89,8%) |
05
(10,2%) |
05 |
-- |
| Feijão |
09 |
09
(100,0%) |
---
(00,0%) |
-- |
-- |
| Laranja |
65 |
62
(95,3%) |
03
(04,7%) |
04 |
04 |
| Maçã |
65 |
61
(93,8%) |
04
(06,2%) |
04 |
02 |
| Mamão |
63 |
47
(74,6%) |
16
(25,4%) |
19 |
-- |
| Manga |
07 |
07
(100,0%) |
---
(00,0%) |
-- |
-- |
| Morango |
66 |
33
(50,0%) |
33
(50,0%) |
40 |
04 |
| Pimentão |
07 |
03
(42,8%) |
04
(57,2%) |
06 |
-- |
| Repolho |
07 |
06
(85,7%) |
01
(14,3%) |
01 |
-- |
| Tomate |
72 |
65
(90,3%) |
07
(09,7%) |
13 |
10 |
| Uva |
07 |
06
(85,7%) |
01
(14,3%) |
01 |
-- |
Como se percebe,
a informação sobre os resíduos de agrotóxicos
é exposta ao público de forma séria e responsável,
um tributo à verdade. Cada alimento advindo de determinada
cultura agrícola traz claramente o número de amostras,
quantas apresentaram ou não problemas de resíduos, quantos
ingredientes ativos apresentaram-se com resíduos acima do LMR
permitido e quantos se apresentaram com resíduos não
autorizados para a cultura.
Nunca é
demais esclarecer que o LMR é um número que guarda correlação
com a quantidade diária do ingrediente ativo que o indivíduo
pode ingerir todos os dias de sua vida sem efeitos maléficos,
a IDA. Você dificilmente ingere as quantidade de alimento para
alcançar um valor prejudicial, e ainda mais todos os dias.
E essa quantidade diária é estabelecida com grandes
margens de segurança. Ou seja, mesmo que você tenha comido
um alimento com LMR acima do permitido, você só sentiria
algum dano em casos muito excepcionais. Ou você é tão
persistente que come o mesmo alimento contaminado todos os dias e
em excesso para ultrapassar as margens de segurança?
Quanto aos usos não autorizados, o raciocínio é
o mesmo, com a atenuante de que as quantidades encontradas podem ser
apenas traços, sem importância o suficiente para serem
explicitados nas tabelas.
Pode comer sossegado seu pimentão!
Mas nem por isso devemos relaxar dos cuidados. E nesse sentido, o
programa tem o seu mais relevante papel ao apontar quais as lavouras
onde as práticas culturais estão necessitando de reciclagem
técnica, através de coletras trimestrais no CEASA/ES.
-- Por que a alface, o mamão, o morango e o tomate apresentam
altos índices de uso de produtos não autorizados? Certamente,
o principal motivo é a falta de produtos registrados para essas
culturas. O governo federal prometeu lançar uma Instrução
Normativa Conjunta (MAPA, ANVISA e IBAMA) para minimizar essa situação,
estimulando o registro por parte das empresas para as chamadas pequenas
culturas ou culturas com pouco suporte fitossanitário (Portaria
MAPA nº 94 de 24jun2008, em consulta pública).
-- Por que o tomate apresenta 10 ingredientes ativos (13,8%) acima
do LMR permitido em um universo de 72 amostras? Aqui, trata-se de
mau uso.
Em vista desse tipo de indicador, o governo do Espírito Santo
instituiu o PROGRAMA MORANGO SAUDÁVEL, que já colheu
resultados, pois em 2008 as amostras insatisfatórias no morango
foram apenas 2, contra 20 em 2003, conforme indica diligentemente
o folheto em outra tabela não transcrita neste artigo.
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