S/N
Agosto/2009
ESPÍRITO SANTO DOS RESÍDUOS

Os fiscais agropecuários de todo o Brasil se reuniram no mês de julho na insular Vitória, em evento conjunto com o Seminário Nacional de Agrotóxico. Na pasta comemorativa distribuída aos participantes constava: a programação, bloco de rascunho, caneta ecológica (envoltório de papelão no lugar do plástico) e folhetos diversos. Entre esses últimos um pequenino, como que sem pretensões, com os resultados do PARA – Programa de Analise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, no Estado do Espírito Santo. Resultados consolidados dos monitoramentos de 2003 a 2008. Durante o seminário outros dados foram bem ilustrados e dissecados pela Engenheira de Alimentos Eliany A. Oliveira D’Avila, do IDAF – Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal. Vejam a Tabela com algumas nossas adaptações.

RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS NO ESPÍRITO SANTO – 2003 a 2008
Culturas
Nº de Amostras
Quantidade ing. ativo insatisfatório
Geral
Satisfatório
Insatisfatório
NA (ia)
> LMR (ia)
Abacaxi
06
05 (83,3%)
01 (16,7%)
01
--
Alface
60
47 (78,3%)
13 (21,7%)
13
--
Arroz
09
09 (100,0%)
--- (00,0%)
--
--
Banana
62
62 (100,0%)
--- (00,0%)
--
--
Batata
76
74 (97,4%)
02 (02,6%)
02
--
Cebola
07
07 (100,0%)
--- (00,0%)
--
--
Cenoura
59
53 (89,8%)
05 (10,2%)
05
--
Feijão
09
09 (100,0%)
--- (00,0%)
--
--
Laranja
65
62 (95,3%)
03 (04,7%)
04
04
Maçã
65
61 (93,8%)
04 (06,2%)
04
02
Mamão
63
47 (74,6%)
16 (25,4%)
19
--
Manga
07
07 (100,0%)
--- (00,0%)
--
--
Morango
66
33 (50,0%)
33 (50,0%)
40
04
Pimentão
07
03 (42,8%)
04 (57,2%)
06
--
Repolho
07
06 (85,7%)
01 (14,3%)
01
--
Tomate
72
65 (90,3%)
07 (09,7%)
13
10
Uva
07
06 (85,7%)
01 (14,3%)
01
--
  • NA = quantidade de ingredientes ativos não autorizados para a cultura
  • >LMR (ia) = quantidade de ingredientes ativos acima do limite máximo de resíduo

Como se percebe, a informação sobre os resíduos de agrotóxicos é exposta ao público de forma séria e responsável, um tributo à verdade. Cada alimento advindo de determinada cultura agrícola traz claramente o número de amostras, quantas apresentaram ou não problemas de resíduos, quantos ingredientes ativos apresentaram-se com resíduos acima do LMR permitido e quantos se apresentaram com resíduos não autorizados para a cultura.

Nunca é demais esclarecer que o LMR é um número que guarda correlação com a quantidade diária do ingrediente ativo que o indivíduo pode ingerir todos os dias de sua vida sem efeitos maléficos, a IDA. Você dificilmente ingere as quantidade de alimento para alcançar um valor prejudicial, e ainda mais todos os dias. E essa quantidade diária é estabelecida com grandes margens de segurança. Ou seja, mesmo que você tenha comido um alimento com LMR acima do permitido, você só sentiria algum dano em casos muito excepcionais. Ou você é tão persistente que come o mesmo alimento contaminado todos os dias e em excesso para ultrapassar as margens de segurança?
Quanto aos usos não autorizados, o raciocínio é o mesmo, com a atenuante de que as quantidades encontradas podem ser apenas traços, sem importância o suficiente para serem explicitados nas tabelas.

Pode comer sossegado seu pimentão!

Mas nem por isso devemos relaxar dos cuidados. E nesse sentido, o programa tem o seu mais relevante papel ao apontar quais as lavouras onde as práticas culturais estão necessitando de reciclagem técnica, através de coletras trimestrais no CEASA/ES.
-- Por que a alface, o mamão, o morango e o tomate apresentam altos índices de uso de produtos não autorizados? Certamente, o principal motivo é a falta de produtos registrados para essas culturas. O governo federal prometeu lançar uma Instrução Normativa Conjunta (MAPA, ANVISA e IBAMA) para minimizar essa situação, estimulando o registro por parte das empresas para as chamadas pequenas culturas ou culturas com pouco suporte fitossanitário (Portaria MAPA nº 94 de 24jun2008, em consulta pública).
-- Por que o tomate apresenta 10 ingredientes ativos (13,8%) acima do LMR permitido em um universo de 72 amostras? Aqui, trata-se de mau uso.

Em vista desse tipo de indicador, o governo do Espírito Santo instituiu o PROGRAMA MORANGO SAUDÁVEL, que já colheu resultados, pois em 2008 as amostras insatisfatórias no morango foram apenas 2, contra 20 em 2003, conforme indica diligentemente o folheto em outra tabela não transcrita neste artigo.

Eng. Agr. Tulio Teixeira de Oliveira – Diretor Executivo da AENDA
www.aenda.org.br / aenda@aenda.org.br