S/N
Janeiro/2010

SEGURANÇA NOS INSUMOS AGRÍCOLAS

No dia 27.out.09 o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO noticiou que milhares de pessoas se aglomeraram em filas por todo o território dos Estados Unidos buscando a vacina contra a gripe H1N1. Desde abril, pelo menos 1.000 pessoas morreram em conseqüência da doença. A expectativa era que estariam disponíveis 160 milhões de doses da vacina, mas na realidade só houve produção de 28 milhões. De acordo com a Secretária da Saúde, Kathlenn Sebelius, um dos problemas é que 4 das 5 empresas fabricantes de vacina estão fora dos EUA. “É uma preocupação dependermos de outros países para comprar a vacina”.

Saúde, Alimentação e Educação são serviços que todos os povos exigem que o Estado tome a frente na administração, no ordenamento, na orquestração das condições para que o país esteja bem preparado para suprir a demanda interna.

A alimentação é bem suprida aqui no Brasil por nossa agricultura, que inclusive produz excedentes para alimentar outras nações. Mas, à montante da agricultura estão os insumos e aí reside o perigo. São sementes, fertilizantes, defensivos como bens não duráveis e os maquinários como bens duráveis. De maneira geral estamos perdendo terreno. Já fomos mais atentos.

O insumo Semente está escapando de nosso domínio, ao menos tecnológico, pois a produção por contingência edafoclimática tende sempre a ser produzida no próprio local. A EMBRAPA sozinha dará conta de acompanhar a avassaladora onda das grandes empresas de biotecnologia? Atenção, não se vende mais semente melhorada geneticamente, bem selecionada, certificada; hoje é vendido o direito do uso de um ou mais genes apropriados da natureza pela biogênica, daí os royalties. A competição já foi esmagada por poucas e pesadas botas. O custo deste insumo está em ascensão.

O fertilizante deu um susto tão grande no preço e até na retração da oferta global em safra recente que as autoridades perceberam claramente o que é Segurança Alimentar. Houve bastante movimentação e dá para acreditar que uma planificação construída no potencial mineralógico brasileiro será realidade no médio prazo. Torçam para que a próxima virada de governo não ponha a perder essa perspectiva.

Olho nos Defensivos, pois todo o esforço da década de 70 está derretendo/balançando. O Brasil na era militar produzia mais de 70% das suas necessidades de pesticidas. Hoje, com muito mais produtos registrados o panorama é outro.

DEFENSIVOS AGRÍCOLAS COM REGISTRO NO BRASIL - 2009
INGREDIENTES ATIVOS
(sem considerar misturas de i.as.)
QUANTIDADE DE I.As.
• Adjuvantes
• Protetores
• Semioquímicos
• Biológicos
• Químicos
TOTAL
025
001
026
004
303
359
I.As. PRODUZIDOS NO BRASIL
043

Enquanto o consumo aumenta...

CONSUMO DO BRASIL DE PESTICIDAS – QUANTIDADE E VALOR
 
2005
2006
2007
2008
QUANTIDADE
- em toneladas
232.232
238.766
304.031
312.632
VALOR
- em US$ bilhões
4,243
3.919
5,371
7,125
Fonte: SINDAG

...aumenta o percentual de importação, e pior, de produtos já formulados:

Importação de defensivos agrícolas por valor agregado (US$ mi)
Produto 2005 2006
2007 2008
Produtos
Técnicos
1.095.804
(64%)
442.000
(44%)
663.953
(45%)
868.872
(41%)
Produtos
Formulados
605.136
(36%)
562.000
(56%)
825.822
(55%)
1.258.803
(59%)
Total 1.700.940
(100%)
1.004.000
(100%)
1.488.875
(100%)
2.127.675
(100%)
Fonte: MDIC

Os números de 2009 não estão fechados, mas não devem diferir, salvo em dólar, visto que a moeda americana foi depreciada neste ano cerca de 24% em relação ao Real.

Mais comércio, menos indústria. Desenvolvimento...quase nada!

Mas nada de obscurantismo, nem arroubos nacionalistas. Não há uma receita pronta. A ordem da sabedoria popular é administrar os avanços de forma a não depender demasiadamente de fontes externas.

Lembremo-nos de Kathlenn Sebelius.

Com nossa reverência.

 

Eng. Agr. Tulio Teixeira de Oliveira – Diretor Executivo da AENDA
www.aenda.org.br / aenda@aenda.org.br