Inseticida compromete acasalamento do gorgulho-do-milho

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Estudo revela que concentrações subletais de lambdacialotrina reduzem o sucesso reprodutivo de Sitophilus zeamais

A aplicação de lambdacialotrina em doses abaixo do letal altera significativamente o comportamento sexual do gorgulho-do-milho (Sitophilus zeamais), de acordo com um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Agrícola de Atenas, na Grécia.

Os cientistas expuseram os insetos a duas concentrações subletais do inseticida (LC10 e LC30) e observaram impactos diretos no reconhecimento do parceiro, nas tentativas de acasalamento e na duração da cópula. Comparados ao grupo controle, os machos tratados com lambdacialotrina apresentaram maior dificuldade para localizar e montar as fêmeas, precisando de mais tentativas e tempo para iniciar o acasalamento.

A média de sucesso reprodutivo caiu de 65,3% no grupo controle para 51,6% no grupo tratado com LC10, e para 41,2% no grupo LC30. Além disso, a duração média da cópula caiu drasticamente, de mais de 270 minutos no grupo controle para menos de 120 minutos nas doses tratadas, chegando a apenas 44 minutos em casos extremos.

Outro fator analisado foi a lateralização do comportamento dos machos — ou seja, a preferência por abordar a fêmea pelo lado esquerdo ou direito. Embora a tendência à abordagem lateral esquerda tenha se mantido mesmo após a exposição ao inseticida, os machos com esse padrão tiveram mais sucesso reprodutivo do que os demais. A lateralização parece influenciar diretamente na eficácia do acasalamento.

Segundo os autores, os efeitos observados indicam interferência neurofisiológica causada pela lambdacialotrina, que age nos canais de íons dos neurônios dos insetos. Isso compromete funções motoras e sensoriais essenciais para o acasalamento.

O estudo está disponível em doi.org/10.3390/insects16080865.

Fonte: Revista Cultivar

Crédito da imagem em destaque: USDA

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