Excesso de óxido nítrico bloqueia imunidade sistêmica em plantas

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Estudo mostra falha no transporte de ácido salicílico e perda de resistência adquirida

Pesquisadores da Universidade de Kentucky identificaram um mecanismo pelo qual o excesso de óxido nítrico prejudica a imunidade sistêmica de plantas. O estudo mostrou que níveis altos dessa molécula alteram o pH celular, reduzem o movimento do ácido salicílico e comprometem a resistência sistêmica adquirida, conhecida pela sigla SAR. A pesquisa usou Arabidopsis thaliana como modelo.

O trabalho analisou plantas com mutação no gene GSNOR1. Essas plantas acumulam níveis elevados de óxido nítrico e uma falha na ativação da SAR, uma resposta imune de planta inteira. Essa resposta ocorre após infecção em uma parte da planta e prepara tecidos distantes para novo ataque de patógenos.

Segundo os cientistas, o estudo mostrou que o ácido salicílico, molécula associada à defesa vegetal, encontra dificuldade para entrar no sistema de transporte da planta quando o óxido nítrico se acumula em excesso.

Nos mutantes GSNOR1, o espaço externo às células ficou mais ácido; o interior, mais alcalino. Essa mudança afetou a homeostase de pH e criou uma barreira ao movimento do ácido salicílico. O resultado reduziu a entrada do sinal nos tecidos e limitou a ativação da imunidade sistêmica.

A equipe testou a aplicação exógena de ácido salicílico por duas rotas. Quando a molécula foi pulverizada nas folhas, os mutantes continuaram com resposta limitada. Quando aplicado via solo, as plantas recuperaram a sinalização imune e a SAR. Esse resultado indicou que o sistema de percepção não perdeu a função. A falha principal ocorreu na entrega do sinal pela via foliar.

O trabalho também avaliou o efeito direto do óxido nítrico sobre a captação de ácido salicílico. Protoplastos de plantas do tipo selvagem receberam doadores de óxido nítrico e ácido salicílico marcado. O aumento do óxido nítrico reduziu a entrada do ácido salicílico de forma dependente da concentração. Tratamentos com peróxido de hidrogênio não produziram o mesmo efeito.

Os resultados reforçam o papel do óxido nítrico na defesa vegetal. A molécula participa da resposta imune, mas exige equilíbrio. Níveis baixos ou altos demais podem prejudicar a SAR. Para os cientistas, a descoberta oferece uma nova forma de analisar a resistência a doenças em culturas agrícolas. A planta não precisa apenas produzir sinais de defesa. Ela precisa mover esses sinais até os tecidos certos.

Fonte: Revista Cultivar

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