Trabalho reúne evidências sobre nanopartículas e nanocarreadores e aponta limites para adoção em campo
A nanotecnologia pode ampliar as estratégias para o manejo da antracnose em culturas agrícolas. Nanopartículas com atividade antifúngica e sistemas de nanocarreamento apresentaram ação sobre espécies de Colletotrichum, maior eficiência na entrega de fungicidas e potencial para reduzir doses e resíduos. Apesar dos resultados, a maior parte das evidências ainda vem de ensaios de laboratório, ambientes controlados ou órgãos destacados. A validação em campo, a ecotoxicidade, a estabilidade das formulações e a produção em escala continuam entre os principais obstáculos.
A avaliação integra trabalho de pesquisadores chineses, que analisaram mecanismos de ação, avanços de aplicação e perspectivas do uso de nanomateriais contra a antracnose. A doença afeta centenas de culturas e envolve espécies de Colletotrichum com elevada diversidade genética, ampla gama de hospedeiros e capacidade de infecção latente, o que dificulta seu controle.
O fungo pode infectar flores ou frutos jovens e permanecer sem sintomas durante períodos prolongados. O desenvolvimento da doença ganha intensidade durante o amadurecimento dos frutos ou sob condições ambientais favoráveis. A estratégia também favorece perdas após a colheita e reduz a eficiência de intervenções baseadas apenas na presença de sintomas.
Os cientistas apontam limitações nas ferramentas disponíveis. Fungicidas continuam com papel central no manejo, mas populações de Colletotrichum podem desenvolver resistência sob pressão contínua de seleção. Mutações relacionadas à resistência aos benzimidazóis já aparecem em diferentes espécies. Resistência a fungicidas inibidores da quinona externa também ocorre em populações associadas à antracnose do morangueiro. Segundo o estudo, formulações convencionais apresentam eficiência de utilização do ingrediente ativo próxima de dez por cento. Parte do produto pode alcançar solo e água por lixiviação, escoamento e volatilização.
Os nanomateriais oferecem duas frentes principais. Alguns apresentam atividade antifúngica própria. Outros funcionam como carreadores de fungicidas, agentes biológicos ou moléculas de ácido ribonucleico. Nessa segunda abordagem, o objetivo envolve proteger o ingrediente ativo, controlar sua liberação, melhorar a deposição sobre a planta e aumentar a chegada ao alvo.
O estudo completo está disponível em https://www.mdpi.com/2309-608X/12/8/615#.
Fonte: Revista Cultivar – Schubert Peter