Infecção por Fusarium verticillioides aumentou atração de machos e mudou preferência de acasalamento
A infecção da broca-da-cana Diatraea saccharalis pelo fungo fitopatogênico Fusarium verticillioides altera a comunicação sexual e a escolha de parceiros do inseto. Machos infectados e não infectados demonstraram preferência por odores emitidos por fêmeas infectadas. Fêmeas com o fungo também aceitaram com maior frequência machos infectados durante o acasalamento.
A pesquisa reuniu ensaios comportamentais, análises químicas e avaliações eletrofisiológicas. O trabalho foi realizado por Amanda C. Tuler, Arodi P. Favaris, Flávia P. Franco e José Mauricio S. Bento, ligados ao Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo.
Os testes em túnel de vento mostraram preferência dos machos pelos odores de fêmeas infectadas por Fusarium verticillioides. O padrão ocorreu tanto entre machos infectados como entre machos livres do fungo. Nos testes com uma fonte de odor e ar limpo, os odores de fêmeas infectadas e não infectadas aumentaram o contato dos machos com a fonte. Na comparação direta, porém, os insetos escolheram com maior frequência o odor das fêmeas infectadas.
As análises das glândulas produtoras de feromônio indicaram uma diferença quantitativa em um componente minoritário da mistura sexual. Os testes eletrofisiológicos também mostraram resposta das antenas dos machos aos compostos, independentemente da presença de Fusarium verticillioides. Segundo o estudo, pequenas mudanças na proporção de componentes minoritários podem influenciar o reconhecimento e a atração sexual em mariposas. A pesquisa não determinou o mecanismo responsável pela alteração.
A infecção também influenciou a fase de escolha do parceiro. Nos bioensaios, cada fêmea recebeu simultaneamente um macho infectado e outro não infectado. Fêmeas com Fusarium verticillioides acasalaram com maior frequência com machos infectados. Fêmeas sem infecção não demonstraram preferência entre os dois tipos de parceiro.
Hipóteses dos pesquisadores
Os pesquisadores consideram duas explicações para o padrão de acasalamento observado. A primeira envolve uma consequência não adaptativa das alterações provocadas pela infecção na sinalização sexual. A segunda envolve possível manipulação do comportamento do hospedeiro em benefício da persistência e da disseminação do fungo. O estudo não permite distinguir essas hipóteses.
Os resultados também levantam uma questão para o manejo integrado da broca-da-cana. Estratégias baseadas em feromônios dependem de respostas previsíveis dos insetos aos sinais químicos. Alterações relacionadas à infecção podem interferir na atração e no encontro entre parceiros. Os cientistas apontam essa interação como uma hipótese capaz de contribuir para a compreensão de variações registradas na eficiência de misturas sintéticas de feromônios de Diatraea saccharalis em condições de campo. A pesquisa, porém, não avaliou essa resposta em lavouras e recomenda investigação específica sobre o tema.
Fonte: Revista Cultivar – Schubert Peter
Crédito da imagem em destaque: William White / Bugwood