Levantamento reúne mais de 3 mil espécies e oferece informações sobre pragas agrícolas, organismos benéficos e subsídios para manejo no campo
Pesquisadores brasileiros lançaram o primeiro levantamento científico abrangente sobre ácaros e carrapatos. A publicação Taxonomic Catalog of the Brazilian Fauna: The Brazilian Acarofauna, divulgada na revista científica Zoology, reúne informações sobre 3.678 espécies registradas no País e pode ser usada como ferramenta para o setor agrícola, ao consolidar dados sobre pragas, organismos benéficos e riscos sanitários.
Traduzido como A Acarofauna Brasileira, o catálogo reúne espécies pertencentes à classe Arachnida e distribuídas em seis ordens, organizadas em 273 famílias. O trabalho foi coordenado pelo professor Fernando de Castro Jacinavicius (foto), do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com pesquisadores do Instituto Butantan, da Universidade Iguaçu (Unig) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Para a agropecuária, o catálogo tem relevância direta ao detalhar informações sobre carrapatos e sobre grupos de ácaros fitófagos, conhecidos por causar prejuízos a diversas culturas. Eles se alimentam de plantas como tomate, algodão e feijão, comprometendo a produtividade e exigindo monitoramento constante. Ao identificar a ocorrência, a distribuição geográfica e as características de cada espécie, o levantamento oferece subsídios para estratégias de manejo integrado de pragas e para ações de defesa agropecuária.
Além das espécies consideradas nocivas, a obra destaca ácaros benéficos ao sistema produtivo. Entre eles, estão alguns que ocorrem no solo e são responsáveis pela ciclagem de nutrientes, fundamentais para a fertilidade, e espécies predadoras que se alimentam de outros ácaros, ajudando no controle biológico natural.
O catálogo inclui ainda espécies introduzidas no território nacional, o que é crucial para a vigilância de pragas quarentenárias. “Temos grupos de animais que são pragas de plantas e podem representar risco para a produção agrícola. O catálogo passou a servir de base para a tomada de decisões públicas”, afirma Jacinavicius.
Disponível também em versão digital, no site do Catálogo Taxonômico da Fauna Brasileira, o conteúdo pode ser consultado por agricultores, técnicos e gestores públicos. O material já é utilizado por órgãos governamentais, como o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, além de agências de fiscalização.
Fonte: Agro Estadão
Crédito da imagem em destaque: Unicamp Divulgação