Planta daninha afeta produtividade de soja em diversas regiões produtoras e pode reduzir em até 91% a produtividade do milho
O caruru-palmeri (Amaranthus palmeri), espécie invasora originária das Américas, vem se consolidando como uma das maiores ameaças às lavouras brasileiras. Com capacidade de produzir até 600 mil sementes por planta, a infestação já compromete a produtividade em Estados como Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. A planta se destaca pelo crescimento rápido — até 4 cm por dia — e porte elevado, podendo atingir 2 metros, além de apresentar fotossíntese do tipo C4, altamente eficiente em condições tropicais.
Em propriedades com resistência múltipla, o custo com herbicidas já aumentou até 70%, segundo levantamento realizado em Mato Grosso. “O controle químico isolado já não funciona. Temos casos de resistência cruzada a inibidores da ALS e da EPSPS, o que torna o manejo químico muito limitado”, alerta o pesquisador Anderson Cavenaghi, da Univag-MT.
O manejo integrado é apontado como estratégia prioritária de controle. Herbicidas pré-emergentes atuam antes do nascimento das plantas daninhas, criando uma janela de crescimento livre de competição para a cultura principal. Especialistas recomendam ainda rotação de culturas, limpeza de máquinas, monitoramento de sementes e eliminação de plantas antes da fase de produção de sementes. Tecnologias de identificação precoce, como sensores ópticos e algoritmos de visão computacional, também estão sendo desenvolvidas para ajudar no combate à infestação.
A correta identificação do caruru-palmeri ainda é desafiadora, principalmente nos estágios iniciais, devido à semelhança com outras espécies do gênero Amaranthus. Para especialistas, o controle eficiente da planta exige ação coordenada entre agricultores, consultores, empresas e órgãos de pesquisa, visando evitar novas infestações e proteger a rentabilidade das lavouras.
Estudos indicam que a presença do caruru-palmeri pode reduzir até 91% a produtividade do milho, 79% da soja e 77% do algodão. Além das perdas diretas, a planta dificulta a colheita mecanizada e favorece o surgimento de pragas e doenças secundárias.
Fonte: Agrolink – Aline Merladete
Crédito da imagem em destaque: Jaxon Lane