Observação direta supera armadilhas adesivas e redes de varredura e oferece maior precisão e agilidade para o manejo integrado de pragas
Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo e da Universidade Federal de São João del-Rei concluíram que a contagem direta no cartucho das plantas é o método mais eficiente para monitorar a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), praga associada à transmissão de enfezamentos na cultura. O estudo, conduzido entre setembro de 2022 e maio de 2024, comparou três técnicas de amostragem — contagem direta, armadilhas adesivas e rede de varredura — e sua relação com variáveis climáticas e horários do dia.
Durante o período de monitoramento, foram registrados 11.520 insetos. A contagem direta identificou 5.722 indivíduos, superando em 18% a eficiência da rede de varredura (4.841 insetos) e sendo seis vezes mais precisa que as armadilhas adesivas, responsáveis por apenas 957 capturas. A pesquisa foi conduzida em Sete Lagoas (MG), em campos experimentais com plantios escalonados entre os estágios vegetativos V3 e V9, período de maior incidência da praga.
Os resultados mostraram que não há diferença significativa na quantidade de insetos observados entre manhã e tarde, o que permite realizar o monitoramento em qualquer período do dia. A análise também revelou correlação positiva entre temperatura, umidade e volume de chuvas com o aumento da população da cigarrinha. Já ventos fortes e radiação solar intensa reduziram a presença do inseto nas plantas, influenciando tanto sua ocorrência quanto a eficiência da detecção.
Segundo os pesquisadores, a contagem direta oferece maior precisão e agilidade para o manejo integrado de pragas (MIP), enquanto as armadilhas adesivas, embora práticas, apresentam baixa sensibilidade e podem atrasar intervenções. A pesquisa também aponta que pulverizações podem ser realizadas tanto pela manhã quanto à tarde, sendo o fim da tarde mais favorável por conta da maior umidade, que melhora a retenção da calda e a eficiência das aplicações.
Fonte: Revista Cultivar
Crédito da imagem em destaque: Charles Martins de Oliveira